Fórum destina espaço para reflexão e pesquisa

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Cia. Suspensa é um dos coletivos que mostrarão suas pesquisas
PAULA HUVEN/DIVULGAÇÃO
Cia. Suspensa é um dos coletivos que mostrarão suas pesquisas

Uma das apostas do Fórum Internacional de Dança (FID), que começa hoje à noite, é investir no potencial artístico de companhias e artistas da cena mineira. O projeto Território Minas, que existe desde 1998, terá para essa nova edição uma característica própria: a apresentação de pesquisas de trabalho que ainda não necessariamente renderam ou renderão espetáculos “acabados”.

“Nós vamos contra essa ideia de eficiência que a sociedade sempre prega. Não é para mostrar produto (espetáculo) pronto. É um ‘antes’, os trabalhos estão em processo e podem fazer o que quiserem, aquilo que não se espera, inclusive”, aponta Adriana Banana, curadora do Fórum. “Há uma estratégia para um tipo de vida, no qual só se trabalha, só se produz. As pessoas não têm mais tempo para nada, para o lazer. É sempre uma ‘vida para’ e nunca uma vida”, completa em tom filosófico.

“A gente sempre fica preso no formato dos editais, onde precisamos descrever aquilo que ainda vamos investigar. Como é possível saber isso antes de começar o trabalho? Temos que dar conta dessa expectativa do trabalho ser bem-sucedido”, comenta Ivan Sodré, da companhia Entrecorpos, um dos coletivos que terá seu trabalho de pesquisa mostrado no projeto.

Há uma curiosidade interessante na trajetória do grupo, ele surgiu justamente dentro do Território Minas. “Temos a chance de voltar ao lugar onde surgimos. Sem o compromisso de fazer um espetáculo”, aponta Sodré. O trabalho do Entrecorpos – segundo ele – se baseia em uma pesquisa de diferentes superfícies. “Pense no ferro de passar, na peça de roupa e na tábua. Nosso trabalho tenta entender cada uma dessas peças, mas quer que elas se transformem em uma superfície só”.

Outra artista que apresenta seu trabalho é Joelma Barros. Ex-integrante de companhias como Mario Nascimento e Meia Ponta, sua pesquisa é marcada por uma enfermidade que transformou sua forma de dançar: um câncer na mama. “Já não tenho o mesmo corpo de antes. Eu era muito vigorosa, forte, e agora, o corpo não dá conta de seguir essa intensidade”, pontua. “Quando penso na doença e no tratamento, eu vejo que o meu corpo precisou morrer (por conta dos pesados medicamentos) para sobreviver”, completa.

A Companhia Suspensa fez o caminho inverso aos seus companheiros de projeto. A pesquisa individual dos seus três integrantes já foi apresentada no formato espetáculo “(1-p/3) 1 espaço para 3” que esteve em cartaz, mas isso, segundo eles, não significa que sua pesquisa tenha sido interrompida ou finalizada. “A sensação é de que era um início de processo”, revela Patrícia Manata, integrante do grupo. Com 15 anos de vida e trabalhos coletivos, é a primeira vez que a companhia experimenta a criação solo. “É interessante notar que nesse tempo, nós percebemos influência do trabalho de cada um no trabalho do outro”, comenta.

Imersão. As pesquisas são apresentadas e são seguidas por bate-papo com o público. Além disso, os artistas terão Rosa Hercoles na plateia para assistir aos trabalhos e depois fazer uma imersão com eles, onde ela apontará e fará provocações tendo em vista aquilo que verá da pesquisa de cada um. Rosa é dramaturgista de dança e diretora da Associação Nacional dos Pesquisadores em Dança (ANDA). Além disso, é professora e pesquisadora do Centro de Estudos da Dança da PUC-SP. As imersões também são abertas ao público em geral.

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