Suzane von Richthofen quer ser mãe e pede chance para recomeçar

Ex-estudante diz que espera pelo perdão do irmão mais novo e que sonha em construir família

iG Minas Gerais | Da redação |

Recomeço. Na penitenciária, Suzane virou evangélica, se casou com outra detenta e sonha em ser mãe
SEBASTIÃO MOREIRA
Recomeço. Na penitenciária, Suzane virou evangélica, se casou com outra detenta e sonha em ser mãe

Uma das presas mais famosas do presídio de Tremembé, no interior de São Paulo, é a ex-estudante Suzane von Richthofen, condenada por ter planejado o assassinato dos pais em 2002. Doze anos após o crime, Suzane fala sobre como é a vida na prisão, os sonhos para o futuro e a vontade de recomeçar. Em entrevista a revista “Marie Claire”, a detenta negou que foi abusada pelo pai na infância e afirmou a vontade de construir uma família e ser mãe.

Suzane concedeu entrevista com a garantia de que não falaria sobre a noite do crime, o passado e a relação com as outras presas. Ela também não quis comentar sobre os irmãos Cravinhos, presos por matarem os pais da jovem.

“Quero que as pessoas saibam que sou um ser humano comum. Cometi um erro, estou pagando por ele e quero recomeçar minha vida”, explicou Suzane sobre o motivo de aceitar a entrevista. Antes uma presa fechada e tímida, a jovem agora é considerada alegre e aberta pelas colegas de prisão.

“Depois que me conhecem, as presas veem que não sou fresca e se surpreendem quando sento no chão para comer com elas.” A razão da mudança de comportamento seria o rompimento com o advogado Denivaldo Barni, amigo de seus pais e que a acompanhou durante todos esses anos.

Richthofen trabalha na mesa de distribuição de tarefas da oficina de costura da Funap (Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel, que emprega presos dentro de cadeias paulistas), onde coordena as funções de outras detentas. Pelo cargo que ocupa, o maior dentro da hierarquia, Suzane recebe um salário de R$ 705.

“Quando cheguei, fiz o caminho de todo mundo: comecei varrendo o pátio, um trabalho que não tem salário, mas conta para remissão da pena. Depois fui servir comida, com uma pequena remuneração. Na sequência, virei monitora da educação, era a assistente da professora e dei aulas de inglês para um grupo de presas até que entrei na oficina”, explica.

Um dos sonhos de Suzane é se reconciliar com o irmão Andreas von Richthofen, com quem ela não fala há 11 anos. “Ele era um menino, e nos despedimos como se fosse voltar na semana seguinte”, disse, sobre a última vez em que viu Andreas, quando ele a visitava na penitenciária. “Meu grande sonho é me reconciliar com meu irmão. Sei que não tenho direito ao que era dos meus pais, nada daquilo me pertence. Dele (irmão), quero apenas o amor e o perdão”, conta.

“Não tem como olhar no espelho e não me lembrar (do crime). Cometi um erro, vou me lembrar dele para sempre. Todos os dias penso que queria acordar e ver que tudo foi um pesadelo”, explica Suzane. “Estou pagando pelo meu erro e quero a chance de recomeçar”, diz ela, sonhando em ser mãe e construir família.

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