Chuva ainda não foi suficiente para encher mananciais

Nascente do rio São Francisco não voltou a correr em seu leito

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Setembro. Fiscal do Instituto Chico Mendes observou local da nascente do São Francisco, que secou
FLÁVIO TAVARES
Setembro. Fiscal do Instituto Chico Mendes observou local da nascente do São Francisco, que secou

As chuvas que chegaram no fim de semana e que devem continuar nos próximos dias não foram suficientes para aumentar o volume dos rios que abastecem regiões e municípios que sofrem com a falta de água. Em São Roque de Minas, cidade onde está uma das entradas do Parque Nacional da Serra da Canastra, as nascentes ainda não voltaram a correr. “Na região rural, onde os produtores captavam a água das nascentes, as chuvas não tiveram efeito nenhum”, declara André Picardi, secretário de Meio Ambiente e Turismo do município. “No parque, a chuva também não fez diferença e a nascente do rio São Francisco não está correndo. O que melhorou foi a vegetação e houve diminuição das queimadas”, acrescenta Picardi.

Segundo Márcio Pedrosa, coordenador do Comitê dos Afluentes Mineiros do Alto São Francisco, não houve, por enquanto, qualquer diferença do cenário com a chegada das chuvas. “Não impactaram em nada. É muito pouca chuva para isso. Apenas a poluição e a fumaça que diminuíram”, afirma. Pedrosa afirma que a represa de Três Marias continua com um volume de 3,5% a 3,8% do normal. Na represa de Sobradinho, na Bahia, o volume está em 18%. Vazão. Em Juiz de Fora, segundo a Companhia de Saneamento Municipal (Cesama), a vazão dos mananciais que atendem a cidade subiu 25% com a chuva, mas ainda não é suficiente para armazenar água. Por essa razão, o rodízio de água adotado há mais de dez dias no município deve continuar, sem previsão de término. Atualmente, na cidade da Zona da Mata, a represa de São Pedro, que chegou a secar, tem 8% de sua capacidade ocupada e a represa Dr. João Penido tem 22%, segundo a Cesama. No caso de Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte, o volume de água das chuvas resolve o problema por, no máximo, quatro dias. “Se não continuar chovendo, ajuda pouco. O déficit de chuva de 2014 já está em 150%. Isso porque de 2012 para 2013 também houve um déficit de 35%”, esclarece Bernar do Mourão Vorcaro, diretor técnico do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Caeté. A expectativa para melhorar a situação de abastecimento é que as chuvas voltem ao volume de dois anos atrás. “Precisamos que chova como em 2012, pelo menos 600 mm em novembro e dezembro e, de preferência, que não venha tudo de uma vez”, diz Vorcaro. Márcio Pedrosa chama a atenção para a constante diminuição do volume de chuva no Estado. “Estamos no quarto ano de chuvas irregulares. A média desses anos anteriores foi de 60% a 70% abaixo do esperado. Esse ano não imaginamos uma situação diferente. Provavelmente não vai chover o suficiente”, alerta Pedrosa.

Sem água BH. Por causa da manutenção em uma adutora, seis bairros da capital ficam sem água nesta terça: Álvaro Camargos, Califórnia, Dom Bosco, Dom Cabral, Frei Eustáquio e Conjunto Califórnia.

Transposição deveria ter revitalização Já foram gastos na transposição do rio São Francisco – que não está pronta – R$ 8 bilhões, segundo Márcio Pedrosa, coordenador do Comitê dos Afluentes Mineiros do Alto São Francisco. Menos de 10% desse valor foi gasto com a revitalização de nascentes e matas ciliares. “Para cada real gasto com a transposição do rio, o ideal seria que fossem gastos R$ 2 com a revitalização dos mananciais. Sem essas ações para recuperar os rios, ano que vem teremos os mesmos problemas”, critica Pedrosa.

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