Trama criada entre boatos

Autor de “Delegado Tobias”, Ricardo Lísias participa do Ofício da Palavra hoje à noite, no Museu de Artes e Ofícios

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Autor. Em “Delegado Tobias”, publicado em quatro partes, Lísias constrói narrativa que borra os limites entre realidade e ficção
Ed Alfaguara
Autor. Em “Delegado Tobias”, publicado em quatro partes, Lísias constrói narrativa que borra os limites entre realidade e ficção

Circulou pelo Facebook, recentemente, a imagem de um processo em que um delegado, chamado Tobias, processa Ricardo Lísias, autor do e-book “Delegado Tobias”. Apesar de verossímil, o material não era de verdade, mas contribuiu para alimentar o clima de incertezas presente nessa narrativa.

Em Belo Horizonte para participar do Ofício da Palavra, que acontece hoje no Museu de Artes e Ofícios, Lísias conversa com o público sobre o livro baseado nessa mescla entre realidade e ficção e comenta as estratégias utilizadas por ele para provocar a relação de sua literatura com a dinâmica das redes socais.

“Apesar daquele processo ter sido inventado, ele fez parte da história. Houve toda uma documentação que eu criei em torno do livro, que contribuiu para gerar uma boataria muito grande. Nós fizemos algo que se parece com um documento real, mas que qualquer advogado, com o mínimo de atenção, conseguiria perceber que era falso, porque, por exemplo, não havia nele um número de registro”, explica Ricardo Lísias.

Sucesso de público, alcançando o primeiro lugar de vendas na loja virtual da Apple, Amazon e Livraria Cultura, o título saiu dividido em quatro volumes. Para ele, a ideia de publicar o romance em partes, se inspirando na estrutura dos antigos folhetins, colaborou para a boa repercussão.

“Antes de resolver publicar o livro em formato e-book, eu pesquisei bastante e quis fazer algo com um certo grau de novidade. Algumas pessoas ligavam para a loja ou me escreviam perguntando se o livro estava incompleto ou com algum defeito, o que depois respondíamos que não, ele tinha essa particularidade. Uma vantagem do e-book é que ele permite que o conteúdo seja lançado a preços muito baratos. Cada volume era vendido, em média, por R$ 2, e acho que isso colaborou para essa grande popularidade”, acrescenta.

Centrada na figura de um policial que investiga o assassinato do escritor Ricardo Lísias, a trama apresenta uma intricada costura de informações, que aparecem projetadas de maneira espelhada. “Tobias, quando se dedica a esse caso, começa a ficar confuso, porque as principais evidências sugerem que quem teria matado o escritor é uma pessoa chamada Ricardo Lísias. Então, a situação fica bastante rocambolesca e aparecem alguns duplos que questionam noções como a própria identidade literária do narrador”, afirma o escritor.

Além de ter essa atmosfera de total descontrole, ele observa que a ficção é bastante permeada pelo humor. “Tobias, aos poucos, se aproxima do meio literário e alguns professores que lhe dão depoimentos acabam sendo presos. Em outro momento, ele fica irritado com algumas manifestações feitas por um jornalista que tenta esclarecer algumas coisas. Como ele não entende nada, acaba prendendo o cara também”, acrescenta.

Com o perfil do policial criado no Facebook, Lísias observa que o público também se tornou personagem. “As reações dos leitores faziam parte da história e a trama foi sendo construída nesse diálogo”, pontua.

Agenda

O quê. Ricardo Lísias no projeto Ofício da Palavra

Quando. Hoje, às 19h30

Onde. Museu de Artes e Ofícios (praça da Estação)

Quanto. Entrada franca

Saiba mais

Além de “Delegado Tobias”, o autor já publicou os romances “Cobertor de Estrelas, Duas Praças”, “O Livro dos Mandarins”, “O Céu dos Suicidas” e “Divórcio”.

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