Um debate de ideias musicais

Programação paralela terá quatro mesas de debates e oito oficinas, desde produção musical até direitos autorais

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Teago Oliveira, vocalista da Maglore, ressalta debates ao lado de shows
pedro lobo/divulgação
Teago Oliveira, vocalista da Maglore, ressalta debates ao lado de shows

Muito além de ouvir o rap pouco conhecido da cantora mineira Zaika no mesmo palco em que a banda gaúcha Apanhador Só deve reunir muitos fãs cativos dos roqueiros independentes, a 3ª edição do Festival Transborda se firma como espaço de discussão e conhecimento dos processos musicais que permeiam a indústria fonográfica, mas principalmente o processo underground do “faça você mesmo o seu som”, ainda que a cena alternativa se fortaleça e aprimore a cada dia. Por isso, oito oficinas, além de quatro mesas de debates, acontecem de hoje até sexta-feira, dia 31, na Casa Una de Cultura.

A coordenadora e curadora do Transborda, Roberta Henriques, explica que a ideia é focar o festival apenas em expressões musicais – ao contrário do que aconteceu em edições anteriores, quando exposições, atividades de dança, performances e grafite também foram incorporadas à programação. “Nosso principal foco é gerar conhecimento em música, mais do que estimular as pessoas a irem ver uma banda tocando. O conhecimento é que move nossa paixão e precisa ser difundido para termos uma cena independente cada vez mais forte e bem feita”, avalia.

Nesse sentido, os debates gratuitos que vão acontecer na Casa Una de Cultura, em uma parceria inédita com o Sebrae, promovida pela curadoria do festival, vão abordar desde a elaboração de projetos governamentais de incentivo à cultura até o papel da mídia na divulgação de novos artistas e a formação de um novo mercado underground que possa se sustentar sobre as próprias pernas.

Quem inaugura o ciclo de conhecimento e discussões é o músico e produtor Léo Moraes, sócio-diretor do estúdio Pato Multimídia e membro da banda mineira Valsa Binária, que vai palestrar sobre música e mercado. “Vamos abrir os debates com um tema fundamental que o Transborda explora e traz à tona muito bem neste ano: é possível criar um mercado médio? A música independente pode ter um mercado com público consumidor ativo e que financie suas vidas e tenha público, assim como o mainstream faz, mas em outras proporções, claro?”, instiga o músico.

Paralelamente aos debates, a Casa Una de Cultura também vai abrigar oito oficinas musicais.

Entre aulas de gravações de músicas, direitos autorais, captação de recursos e elaboração de projetos e mídia voltada para a cultura, uma das principais oficinas, que foge um pouco da pegada independente, é a ministrada pelo músico mineiro Túlio Araujo, que vai abordar “O Pandeiro Contemporâneo: Teoria e Rítmica”. Além das aulas instrumentais, porém, o pandeirista, que em agosto deste ano teve a chance de se apresentar no Savassi Festival Nova York, após se destacar na versão brasileira do evento, vai trazer uma visão sobre o crescimento da carreira independente.

Além de professores que trabalham com produção musical, os próprios músicos que vêm a Belo Horizonte a partir deste fim de semana para os shows do Festival Transborda, ressaltam a importância do debate e da difusão do conhecimento. É o caso do vocalista Teago Oliveira, da banda baiana Maglore, que se apresenta no sábado, dia 1º. “Isso é demais num festival. Se boa parte dos músicos e todo o pessoal envolvido com o cenário da música independente tivesse acesso a essas oportunidades, a produção cresceria muito, de forma mais organizada e com mais visibilidade”, atesta o músico.

Programe-se

Info. Os debates e as oficinas acontecem na Casa Una de Cultura (1.451, Lourdes). As oficinas variam de R$ 10 a R$ 250, mas as inscrições foram encerradas ontem. Mais detalhes no site festivaltransborda.com.br

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