Transborda, vai!

De volta, festival aposta em revelações, como as bandas Boogarins e Câmera

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Mahmundi. Essa carioca traz um pop indie eletrônico suave e dançante ao mesmo tempo
EDUARDO MAGALHAESS
Mahmundi. Essa carioca traz um pop indie eletrônico suave e dançante ao mesmo tempo

Inundar as margens, ultrapassar os limites da prudência até não caber em si e derramar. É a partir dos sinônimos da essência disseminada no próprio nome que o Festival Transborda reestreia na capital mineira, hoje à noite, com programação repleta de oficinas e debates até o dia 29. Ainda que os desejos sejam os mesmos das outras duas edições – revelar artistas e expor a cena underground em uma vivência musical múltipla –, a receita para incendiar a música independente agora é outra. Com programação reduzida e focada apenas em música, o evento apresenta oito shows no Spasso de Circo, envolvendo bandas de seis Estados, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, com direito a lançamentos de discos e apresentações inéditas na capital, como o show do Boogarins, vindos da efervescente cena contemporânea de Goiânia.

Como um festival inerente à música alternativa, o Transborda nasceu de uma iniciativa do Coletivo Pegada de buscar nichos diversos para a divulgação da cena underground brasileira. Na primeira edição, em 2010, o evento desembarcou na cidade durante a luta pelo direito à ocupação de espaços públicos, levando 20 mil pessoas à praça da Estação. No ano seguinte, o foco foi descentralizar a música e trazer artistas pouco conhecidos a cinco centros culturais espalhados pela capital mineira. Agora, a ideia se resume a uma palavra: apostar.

“A gente teve duas primeiras edições com muito mais atividades, incluindo exposições e performances, e até mais dias de programação também, com muito mais shows. Hoje é mais interessante ter uma curadoria cuidadosa e direcionada a apostas musicais: buscamos bandas específicas que merecem ser ouvidas porque já têm causado repercussão e são promessas”, diz Roberta Henriques, coordenação e curadora do Transborda.

Mudança. Para um festival que chegou a ter quase dez dias ininterruptos de programação, trazendo BNegão e Criolo, pouco antes de o rapper paulistano estourar no Brasil, agora o Transborda terá seis dias de atividades, apostando em gente que tem criado um burburinho além das terras natais. Entre elas, o quarteto belo-horizontino Câmera, formado há cinco anos, talvez seja a melhor representação da proposta do Transborda.

Formado por André Travassos (vocais, violão e guitarra), Bruno Faleiro (baixo), Matheus Fleming (guitarra) e Henrique Cunha (guitarra), além do baterista convidado para os shows, Diogo Gavineli, os músicos abriram o Festival Transborda em sua primeira edição – mesmo sem ter sequer um disco lançado. Agora, depois de chamar a atenção em São Paulo, eles se preparam para mostrar as afiadas guitarras indies dentro das atrações principais, divulgado o primeiro álbum da carreira, “Mountain Tops”, lançado pela gravadora paulista Balaclava Records há duas semanas.

“O Transborda foi a primeira chance que a gente teve de tocar num festival, criar um público que você não criaria se não estivesse ali. A gente demorou 14 meses para fazer esse disco, porque nós temos profissões paralelas. Mesmo assim, ficamos surpresos com a repercussão da crítica, o lançamento do álbum em São Paulo, e agora, além das chances de tocar no Rio de Janeiro, também programamos shows em Uberlândia e Poços de Caldas”, diz Travassos.

Quem também faz parte da leva de artistas com a agenda de shows crescente é a banda Boogarins (GO), formada no ano passado por Raphael Vaz (baixo), Fernando “Dinho” (vocal e guitarra), Hans Castro (bateria) e Benke Ferraz (guitarra). Mesmo com menos de dois anos de estrada, eles têm uma agenda lotada de shows no exterior – incluindo cafés, teatros e praças públicas de França, Chile, Inglaterra, Alemanha e Portugal. Em uma trégua das viagens para fora do país, o quarteto mostra pela primeira vez em Belo Horizonte a sua “psicodelia do cerrado” abusada de guitarras pulsantes que permeiam as canções do único álbum da banda, “As Plantas Que Curam” (OneRpm). “Tudo tem acontecido muito rápido. Shows fora, crítica a favor, e agora rodando capitais do Brasil. Isso demonstra um espaço próprio que a música independente tem descoberto, fortalecendo seus próprios festivais”, avalia o vocalista Dinho.

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