'Está na hora de o PT ter humildade', diz governador eleito do RS

Sartori impôs no domingo uma derrota por larga margem ao PT, no quinto maior colégio eleitoral do país --venceu o segundo turno com 61% dos votos, ante 39% de Tarso

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Eleito governador do Rio Grande do Sul após uma intensa troca de ataques com o PT de Tarso Genro --atual governador derrotado nas urnas--, o peemedebista José Ivo Sartori diz que o partido da presidente Dilma precisa ter "humildade" e fazer uma "autocrítica".

Ele afirma que a população desaprovou as estratégias de desconstrução adotadas na campanha nacional e que "quem é plural e democrático" não pode achar que os outros estão sempre equivocados.

"Tem gente que acha que está sempre certa, que os outros estão sempre errados. Está na hora de ter humildade, fazer um pouco de autocrítica e perceber que o Brasil pode ser diferente, inclusive nas disputas eleitorais", disse o peemedebista.

Sartori impôs no domingo uma derrota por larga margem ao PT, no quinto maior colégio eleitoral do país --venceu o segundo turno com 61% dos votos, ante 39% de Tarso. Na eleição presidencial, ele apoiou Marina Silva (PSB) no primeiro turno e Aécio Neves (PSDB) na segunda etapa.

O peemedebista diz que "não vem de graça" a rejeição ao PT em algumas fatias do eleitorado e que o partido adversário "ficou igual a todo mundo". "Deve ter gente que deve ter plantado lá atrás e hoje tem essa aversão", declarou.

Ele cita como exemplos atitudes históricas, como a de não fazer parte do governo de Itamar Franco (1992-1994) e diz que houve um "aprendizado" que fez os petistas se abrirem a coligações. Mas afirma que não é "anti-PT" nem "antininguém".

No Rio Grande do Sul, o PMDB é um tradicional opositor do PT --a eleição deste ano foi a quarta nos últimos 20 anos em que as duas siglas disputaram o segundo turno no Estado.

Sartori concorda com a avaliação do diretório gaúcho do PMDB que afirma que a aliança nacional com o governo federal é ruim para os dois lados.

Ele diz que o fundamental não é ir para a oposição a Dilma, mas pensar em uma candidatura própria a presidente em 2018. "Achei que [o apoio] ia prejudicar quando foi constituído, lá em 2003. De agora em diante, vamos fazer o quê? Tem que trabalhar internamente", diz.

O governador eleito foi criticado por Tarso ao longo da campanha por adotar o slogan "Meu partido é o Rio Grande", que, para o petista, omitia o vínculo com o PMDB.

Sartori diz que faltam a todos os partidos "programa e orientação" e defende uma mudança na estrutura por meio da reforma política.

PARCERIA COM DILMA

Ele elogiou a manifestação de Dilma Rousseff após a reeleição, em que ela citou a necessidade de mudanças nessa área. "Tenho certeza de que, se o governo se empenhar, ele consegue fazer a reforma política. Agora há mais motivação e se tornou uma necessidade mais premente. Não existe tanta ideologia pra tanto partido."

Na disputa pelo governo gaúcho, o PMDB firmou aliança com 18 siglas no segundo turno. Apesar do apoio aos tucanos e a Marina na eleição presidencial, o novo governador gaúcho afirma que terá uma relação positiva com a presidente reeleita. Diz que no período em que foi prefeito de Caxias do Sul, de 2005 a 2012, tocaram projetos em conjunto com o governo federal e que não vai ter "preconceito" com quem não o apoiou na campanha.

"Desejamos um governo que supere as dificuldades no campo econômico, no campo da inflação, e que tenha um bom relacionamento com todos os governadores."

Quanto ao próprio mandato, Sartori cita a atenção às finanças como medida inicial de sua futura gestão --o Rio Grande do Sul é proporcionalmente o Estado mais endividado do país. "Precisa um cuidado todo especial porque é o que vai oferecer oportunidade para novos investimentos ou capacidade de financiar mudanças na infraestrutura."

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave