Uma década após tragédia, prevenção é a palavra de ordem no futebol

Atletas passaram a ser submetidos por exames cada vez mais rigorosos, o que foi aprovado pelos próprios jogadores

iG Minas Gerais | DIEGO COSTA |

Volante Magrão pode ser poupado para a entrada de Pablo no meio-campo
DIVULGAÇÃO/AMÉRICA
Volante Magrão pode ser poupado para a entrada de Pablo no meio-campo

Após a morte de Serginho, outros fatos semelhantes ocorreram no mundo do futebol, como o do ex-cruzeirense Diogo Mucuri. Em 2006, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória durante um treinamento na Toca da Raposa II. Ele foi socorrido a tempo, mas teve de deixar o futebol profissional. Posteriormente, ainda tentou jogar como amador, mas novamente passou mal, já em 2007. Em 2013, Neto Maranhão, ex-América, morreu enquanto treinava pelo Potiguar do Mossoró, aos 27 anos. Por contra desses casos, a medicina do futebol passou a exigir exames cada vez mais rigorosos dos atletas. 

 

Voltando à noite da morte de Serginho, a reação dos atletas do São Caetano, sobretudo do lateral Anderson Lima, deixou claro que eles tinham conhecimento de um problema cardíaco do jogador, o que foi detectado em exames feitos no início da temporada. O zagueiro sofria de uma arritmia de grau leve. Segundo o médico do clube, Paulo Forte, o problema não impedia o atleta de seguir no futebol. O profissional e o presidente do clube, Nairo Ferreira, chegaram a ser acusados de homicídio doloso – quando há intenção de matar –, isso porque a promotoria do Ministério Público entendia que eles sabiam do risco de falecimento do jogador. Posteriormente, a necrópsia atestou que Serginho sofria de uma cardiomiopatia hipertófrica, desenvolvida durante a temporada.

Passados dez anos, o médico do América, Doutor Cimar Eustáquio, afirma que o jogador não seria liberado para continuar a prática do esporte de alto rendimento, como é o caso do futebol, antes de o problema ser solucionado.

“De forma alguma. O que fazemos hoje, em qualquer sinal ou evidência, seja ela grave ou moderada, é o atleta ser afastado. A partir daí, realizamos os exames possíveis para saber se vai poder continuar a jogar ou não. Atualmente, se o atleta apresentar qualquer sintoma, estamos preparados para atendê-lo”, disse o médico.

Nos últimos dez anos, o profissional do América afirma que a prevenção passou a ser imprescindível quando o assunto é a saúde dos jogadores.

“O que observamos é a medicina preventiva. Primeiro ponto seriam os exames médicos e complementares, com mais rigor do que era antes. Avaliar do ponto de vista físico, psicológico também, a situação orgânica deles. Ficou tudo mais rigoroso. Temos um acompanhamento durante a temporada, um grupo multidisciplinar também acompanhando todas as atividades, como fisiologistas, preparador físico. São vários profissionais envolvidos. Além disso, procuramos detectar distúrbios que afetem qualquer sistema do jogador. A partir disso, podemos avaliar para ver qualquer situação de risco”, completou o médico do Coelho.

Euller endossa as palavras do profissional do América sobre o aumento da preocupação com as condições clínicas dos atletas. 

"Muita coisa mudou nos últimos dez anos. A começar pelos exames, que ficaram mais rigorosos e pela obrigatoriedade de se ter um desfibrilador nos estádios . Até aquela oportunidade, não era comum fazer tantos exames de um atleta. Os jogadores tomaram consciência desta situação e estão se cuidando mais. Nos clubes, os departamento médicos estão mais atentos com a saúde dos atletas. Eles procuram se aprofundar nos assuntos referentes a condições físicas e respiratórias", explicou. 

Para o volante Magrão, o fato teve um efeito imediato, que foi no período de férias dos times. 

"Melhorou muito. Teve a questão das férias também. O próprio Palmeiras fez algumas represálias, conseguimos um abaixo-assinado com outros grandes clubes de São Paulo, pois não tínhamos trinta dias de férias. Em 2004, para quem estava no futebol, foi um marco para gente essa conquista. Os clubes grandes se uniram em prol disso. Foi muito pela situação dele (Serginho) que a gente conseguiu", ressaltou Magrão. 

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