CPI da Petrobras cancela depoimento de Youssef

Presidente da CPI disse não fazer sentido manter a fala do doleiro depois que ele enviou ofício à comissão de inquérito declarando que permanecerá calado

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Flagrante. Alberto Youssef foi internado em hospital de Curitiba e está bem, segundo boletim médico
Reprodução/Revista Época
Flagrante. Alberto Youssef foi internado em hospital de Curitiba e está bem, segundo boletim médico

A CPI mista da Petrobras cancelou o depoimento do doleiro Alberto Youssef, marcado para esta quarta-feira (29). O presidente da CPI, Vital do Rego (PMDB-PB), disse não fazer sentido manter a fala do doleiro depois que Youssef enviou ofício à comissão de inquérito declarando que permanecerá calado na CPI.

Vital disse que sugeriu a realização de sessão secreta para o depoimento de Youssef, mas a defesa do doleiro manteve a disposição dele em não falar pelo acordo de delação premiada que firmou com a Justiça Federal.

"Fazer uma mobilização enorme de transporte para ele ficar calado é contra-producente. Ao contrário do Paulo Roberto [ex-diretor da Petrobras], em que tinha uma expectativa dele falar, o Youssef se antecipou e disse que não vai falar nada. Fiz uma consulta aos líderes e decidi pelo cancelamento", afirmou Vital.

A oposição considera essencial o depoimento do doleiro, especialmente depois que o doleiro disse em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula tinham conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras, como revelado pela revista "Veja".

Vital disse que vai remarcar o depoimento de Youssef para depois da homologação de sua delação premiada com a Justiça.

O doleiro pediu na quinta-feira (23) à CPI para ser dispensado de prestar depoimento com o argumento de que não pode fazer nenhuma revelação aos congressistas sob pena de prejudicar seu acordo de delação premiada. No ofício, ele afirmou que se reservaria ao direito do silêncio mesmo em uma sessão sigilosa.

Youssef também argumentou que a legislação brasileira assegura àqueles que firmam acordos de colaboração com a Justiça a preservação de sua imagem -o que não ocorreria numa sessão da CPI da Petrobras. "O status jurídico de colaborador assegura a Youssef diversos direitos, dentre eles o de ter o seu nome, qualificação e imagem preservados e o de não ser fotografado e filmado, direitos estes que poderiam ser vilipendiados durante uma sessão levada a efeito no bojo da CPMI", diz o documento.

No lugar de Youssef, a CPI vai ouvir o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, que substituiu Paulo Roberto no cargo. Consenza deveria ter falado à comissão na última quarta (22), mas encaminhou atestado médico no dia do depoimento alegando razões de saúde para não comparecer.

A CPI investiga se o atestado médico apresentado pelo diretor para faltar ao depoimento. O atestado, de autoria do médico José Eduardo Castro, não fazia nenhuma referência aos sintomas nem a doença que acometia o ex-diretor.

Segundo técnicos da comissão, após identificarem a ausência da CID (Classificação Internacional de Doenças) a CPI entrou em contato com a Petrobras para a complementação do dado. Minutos antes do início da reunião da CPI, foi encaminhado um segundo documento informando que Cosenza teve uma crise hipertensiva —o que levantou a suspeita de fraude por membros da oposição.

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