Partido islamita da Tunísia reconhece derrota nas eleições parlamentar

O partido laico Nidá Tunísia, que tem uma formação heterogênea com políticos da esquerda e de centro-direita, como líderes do regime do deposto presidente Ben Ali, já havia declarado a vitória

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O principal partido islamita da Tunísia, o Nahda, aceitou nesta segunda (27) a derrota nas eleições parlamentares de domingo (26) e parabenizou o rival Nidá Tunísia por ter obtido a maioria dos assentos.

"Aceitamos o resultado e parabenizamos o vencedor", disse Lotfi Zitoun, membro do Nahda. Zitoun disse que o partido reiterava o pedido pela formação de um governo de unidade que inclua o Nahda.

O Nidá Tunísia também planeja formar uma coligação e não descarta a participação do Nahda. A instância independente que organizou as eleições, o ISIE, deve anunciar resultados parciais ainda nesta segunda (27), embora tenha até 30 de outubro para comunicar a composição definitiva do parlamento e seus 217 deputados.

O partido laico Nidá Tunísia, que tem uma formação heterogênea com políticos da esquerda e de centro-direita, como líderes do regime do deposto presidente Ben Ali, já havia declarado a vitória.

Primavera Árabe

Em outubro de 2011, a eleição da assembleia constituinte, vencida pelos islamitas do Nahda, foi a primeira consulta livre da história do país, mas as legislativas deste domingo são fundamentais porque podem permitir a consolidação da democracia após a Primavera Árabe.

Mas o Nahda teve de deixar o cargo no início de 2014 depois de um 2013 marcado por uma crise política e pelo assassinato de dois de seus adversários. Nestas eleições, a campanha foi morna, com muitos tunisianos desapontados com as batalhas políticas que atrasaram a votação, prevista originalmente para outubro de 2012.

Os partidos se concentraram em dois grandes temas: a segurança, num momento em que a Tunísia tem testemunhado o surgimento de grupos jihadistas responsáveis por ataques que mataram dezenas de membros das forças de segurança, e a economia, que permanece anêmica e ferida pelo desemprego e a miséria.

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