Acabou a festa

iG Minas Gerais |

A campanha eleitoral que, esperamos, tenha se encerrado ontem, foi o movimento nacional que marcadamente mais se disseminou na sociedade brasileira nos últimos tempos. Em eleições de passado recente, nunca se viu tamanha mobilização, manifestada nas ruas, nos veículos de comunicação, nas escolas e especialmente nas redes sociais como a agora registrada. A trágica morte do candidato Eduardo Campos, a súbita aceitação de Marina Silva em índices até então não contabilizados pelo titular da chapa, o sobe e desce dos demais pretendentes – Aécio Neves e Dilma Rousseff – no primeiro turno e, depois, os variados cenários desenhados pelas duas candidaturas do segundo turno, valendo-se de denúncias de corrupção, de improbidade administrativa, de loas a projetos inacabados ou medíocres ou fantasiosos, de exagerados elogios sem razão e justificativa, de tudo se viu e se fez para conquistar e consolidar apoios e descredenciar oponentes. Esperava-se que a eleição ficasse definida no primeiro turno e que a oposição a Dilma Rousseff fosse se reduzir a um grupo pequeno no Congresso; não ocorreu assim. As bancadas do PT, do PMDB e dos demais partidos do esperado grupo de apoio ao Planalto, reeleita Dilma Rousseff, seguem mais numerosas do que as de oposição, mas não se pode negar que Dilma enfrentará resistências, as mais sólidas e eloquentes, capazes de dificultar ou mesmo colocar em risco seu projeto de mando. No conjunto da obra, há de colocar em relevo a atuação do governador eleito Fernando Pimentel, que selou a vitória de Dilma. O senador Aécio Neves, nome natural para liderar a oposição que prometeu assim se instalar tão logo confirmada a reeleição da presidente Dilma Rousseff, manifestou o compromisso de rever em detalhes as ações dos governos do PT, empreendidas nos últimos 12 anos. Há quem duvide, pelos interesses que poderão ser necessariamente questionados, quase sempre neles envolvidos os tradicionais financiadores de campanhas, comuns às duas candidaturas. Nasce daí o nó górdio da reforma política que tanto se pretende e que é muito oportuna. Nesse momento em que a corrupção, a improbidade, o mau uso da máquina estatal e todas as formas de lesão ao interesse público estão no centro das preocupações e dos questionamentos de toda nação, seria a hora para também os partidos, com dignidade, filiarem-se a esse compromisso. Se isso não ocorrer, isso é, a clara e transparente opção pelo financiamento público de campanhas e a fiscalização sem ressalvas do seu cumprimento, talvez a explicação esteja na prestação de contas dos candidatos. E nelas também o rol dos culpados pelos sucessivos desmandos e fraudes que a sociedade não cansa de ver e denunciar. Sempre em vão, porque ela é renovada a cada eleição.

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