Em 2018, Aécio e Alckmin devem disputar candidatura

Apesar da votação recorde do PSDB, senador terá que lutar para ser candidato novamente

iG Minas Gerais | denise motta / Larissa Arantes / Larissa Veloso |

Promessa.Com vitória do partido em SP e derrota em MG, Alckmin ganha espaço
Sérgio Castro / Estadão conteúdo
Promessa.Com vitória do partido em SP e derrota em MG, Alckmin ganha espaço

Com mais de 50 milhões de votos, o PSDB teve a maior votação em eleições presidenciais na história do partido. Mas, apesar do número absoluto, não alcançou os desejados 50% e viu seu candidato, Aécio Neves, ser derrotado pela presidente Dilma Rousseff (PT) na noite deste domingo. Entre as decisões em todo o país, os resultados de dois Estados chamaram atenção. O tucano perdeu em Minas Gerais, seu Estado de origem, onde foi governador por dois mandatos consecutivos e território que era dado como certo na conta do PSDB. Com 99,9% dos votos apurados, Dilma teve 52,41% dos votos válidos em Minas, enquanto Aécio teve 47,59%. O outro Estado é São Paulo, onde o partido ganhou com 64,31% dos votos, enquanto a petista teve apenas 35,69% dos votos válidos.

A vitória em São Paulo e a derrota em Minas deixam em aberto o futuro do partido, que terá que voltar mais uma vez ao projeto de conquistar a Presidência do país. No fim da noite deste domingo, começaram as especulações do que está por vir. Em debate, a colunista do jornal “Folha de S.Paulo” Mônica Bergamo opinou que os votos de Aécio no Sudeste são, na grande maioria, votos anti-PT, que qualquer candidato tucano teria. “Já o (Geraldo) Alckmin está com uma máquina poderosíssima na mão”, declarou, completando que o governador de São Paulo, que já disputou a eleição contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2006, sai como “candidatíssimo” à Presidência. Dando força ao argumento, o ex-governador de São Paulo José Serra desconversou quando questionado sobre uma possível candidatura de Aécio em 2018. “Vamos pensar no caminho para o PSDB em fevereiro, quando abre o Congresso, ou em janeiro, quando assumem os governadores eleitos”, disse à reportagem de O TEMPO. O senador José Agripino Maia (DEM-RN), coordenador da campanha presidencial tucana, também não quis comentar os rumos da oposição. “Isso é uma avaliação a ser feita. A reflexão a ser feita será com partidos, com calma e com objetivos definidos. É cedo para falar em disputa de 2018. Agora, ele termina a campanha como líder, não tem a menor dúvida. Ele é o líder maior”, afirmou o senador pelo Rio Grande do Norte. O cientista político da UFJF Paulo Roberto Figueira Leal explica que é exatamente o resultado dos dois maiores colégios eleitorais do país que muda a organização de forças do PSDB no território nacional. “Vemos uma mudança do eixo do PSDB para São Paulo de novo. Apesar de ter sido uma vitória apertada, Aécio perdeu em Minas nos dois turnos. E em São Paulo deu Aécio nos dois turnos e a reeleição de Alckmin. Foi o Estado paulista que representou o bastião do partido”, afirma.

Votação recorde. Antes da votação recorde do PSDB registrada neste domingo, o maior número era de José Serra (PSDB), ex-governador de São Paulo, com mais de 40 milhões de votos em 2010, quando perdeu o segundo turno para Dilma Rousseff, em sua primeira eleição. O número de eleitores de Aécio também foi maior do que os votos ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, eleito duas vezes com vitória no primeiro turno, em 1994 e 1998.

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