Número de helipontos cresce 240% em um ano na capital

Desde setembro de 2013, locais para pousos e decolagens das aeronaves saltaram de dez para 34

iG Minas Gerais | Bernardo Miranda |

Pelos ares. Apesar do aumento de helipontos em BH, poucos proprietários usam aeronaves no dia a dia
JOAO GODINHO / O TEMPO
Pelos ares. Apesar do aumento de helipontos em BH, poucos proprietários usam aeronaves no dia a dia

Em apenas um ano, o número de helipontos autorizados pela prefeitura mais do que triplicou em Belo Horizonte. Enquanto em setembro de 2013 havia dez locais para pousos e decolagens de helicópteros na cidade, hoje já são 34 pontos – um crescimento de 240%. Na avaliação de especialistas, esse investimento corrige a falta de locais adequados para as aeronaves e incentiva um maior crescimento desse tipo de transporte.

Dos 24 novos helipontos, apenas três já receberam a regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para entrar em funcionamento. Os três já estão em operação, são particulares e ficam na serra do Curral, no prédio anexo ao Boulevard Shopping e na avenida Raja Gabaglia. Com esses novos helipontos funcionando, Belo Horizonte passa a contar com seis áreas disponíveis para o uso de qualquer pessoa que possua um helicóptero. Outros sete helipontos em funcionamento na capital pertencem a hospitais ou são de uso exclusivo do governo do Estado. Análise. O professor de ciências aeronáuticas da Universidade Fumec Rogério Botelho Parra explica que somente agora o helicóptero começa a ter mais espaço em Belo Horizonte. Para o especialista, a abertura dos novos espaços rompe um círculo vicioso que impedia uma maior disseminação desse modelo de transporte na capital. “Sem helicópteros, não há quem se interesse por construir helipontos. Por sua vez, se não há helipontos, não vai haver um estímulo para trocar o carro pela aeronave. Dessa forma, não tem como avançar nesse mercado, uma vez que não adianta ter o helicóptero à disposição se não vai ter lugar para pousar”, afirma Parra, que também é instrutor de pilotagem. No entanto, o professor esclarece que ainda são raros os casos de pessoas que utilizam as aeronaves no dia a dia para ir, por exemplo, de casa para o trabalho. A principal rota do tráfego aéreo em Minas vai em direção ao interior, principalmente para condomínios de luxo, como Escarpas do Lago, no lago de Furnas, no Sul de Minas. Não há empresa de táxi-aéreo na capital. Ele ainda destaca que o avanço dos helipontos está relacionado também às novas construções, já idealizadas para receber as estruturas. De acordo com a Anac, o Estado possui hoje 253 helicópteros. Cerca de 80 deles estão na capital. O número é considerado baixo para uma cidade com o porte de Belo Horizonte, e a criação de novos helipontos é vista de maneira otimista pelo presidente da Associação Brasileira dos Pilotos de Helicóptero (Abraphe) em Minas, Theo Rohlfs. “Belo Horizonte é favorecida quando investe em infraestrutura para comportar as operações com helicópteros na capital, considerando a versatilidade desse transporte, a acessibilidade e os ganhos físicos e financeiros resultantes da economia de tempo e comodidade que o uso do helicóptero como meio de transporte traz”.

Saiba mais Legislação. Em setembro de 2013, a prefeitura alterou as regras para a construção de helipontos na cidade, proibindo a construção de helipontos nas 11 Áreas de Diretrizes Especiais (ADEs) da capital e em áreas de proteção ambiental. Questionamento. A Associação Brasileira dos Pilotos de Helicóptero é contra o maior rigor das regras de construção. Um dos argumentos é a proibição em áreas de ADEs, que abrangem bairros como Belvedere e Estoril e que precisariam de helipontos estratégicos para dar vazão ao tráfego aéreo local. Eles reclamam da obrigação de ter um terreno com um perímetro extra de 5 metros nas laterais e nos fundos.

Flexibilização Interesse público. Helipontos destinados a serviços de interesse público podem ser construídos com regras construtivas menos rígidas do que as previstas pela legislação atual.

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