Análises também ajudam a entender e a tratar problemas

Ele replicou essas células nervosas milhares de vezes e testou milhares de compostos de drogas, para ver qual corrigiria o problema da sinalização elétrica

iG Minas Gerais | Karen Weintraub |

Nova York. Além de tratamentos diretos, as células-tronco também estão abastecendo os pesquisadores com novas ferramentas no laboratório. Usando células criadas de pacientes com problemas específicos, é possível reproduzir e estudar suas doenças.  

Kevin Eggan, do Instituto de Células-Tronco de Harvard, usa essa técnica para estudar a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA, ou doença de Lou Gehrig). Há cinco anos, ele pegou células da pele de duas mulheres que estavam morrendo da mesma forma genética da ELA.

Eggan transformou essas células da pele em células-tronco e então em células nervosas, e percebeu um problema elétrico: as células não sinalizavam corretamente entre si, o que provavelmente estava causando a degeneração neural que caracteriza a doença.

Ele replicou essas células nervosas milhares de vezes e testou milhares de compostos de drogas, para ver qual corrigiria o problema da sinalização elétrica. Descobriu uma droga promissora – um remédio existente, aprovado para epilepsia – que será testada em pacientes com ELA até o fim do ano.

É claro que um neurônio numa placa de laboratório é algo muito mais simples do que uma doença em seres humanos, com nossos trilhões de células e sistemas interligados. “Parte do estudo é para ver se a droga que descobrimos afeta o mesmo problema elétrico no paciente intacto”, como faz numa célula nervosa em laboratório, explicou Eggan.

O processo completo, disse ele, “é algo que nunca foi remotamente possível antes”. 

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