Burocrata e ditatorial

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Os alemães têm tanta admiração pelo futebol brasileiro, sem ironias, que o Bayern, base da seleção, ao golear a Roma, por 7 a 1, quis nos lembrar que precisamos refletir e reformular nosso futebol, dentro e fora de campo, de uma maneira consistente e duradoura. Foi também um aviso para não nos iludir com o discurso de futebol com sangue nas veias nem de brilharecos momentâneos, que vão se apagar mais à frente. Nos últimos amistosos, o Brasil levou grande vantagem, pois jogou com muita garra, para recuperar o prestígio, enquanto os adversários cumpriram compromissos. Após o 7 a 1 sobre a Roma, os comentaristas, me incluindo, tinham dúvidas se o Bayern atuou com uma linha de quatro ou com três defensores, se Lahn era ala ou armador pela direita, se Alaba era zagueiro ou volante e qual era, em números, o desenho tático do time. Mas tudo funcionou muito bem. A Roma, como o Brasil contra a Alemanha, não sabia a quem marcar. Guardiola, técnico do Bayern, Sampaoli, do Chile, e Bielsa, do Olympique de Marselha, possuem ideias parecidas, diferentes de outros técnicos. Até a rodada deste fim de semana, o modesto time francês estava a sete pontos do milionário PSG. Isso não significa que só eles estejam certos, mas nos lembram da importância da diversidade, no futebol e na vida. O Bayern e outras grandes equipes, quando enfrentam um time inferior, mesmo fora de casa, impõem seu estilo, dominam a partida e não deixam o adversário jogar. Isso não ocorre, com frequência, nos grandes times brasileiros, contra os mais fracos, porque vivem de estocadas, de lances isolados, individuais. Daí, a irregularidade. O Cruzeiro, no primeiro turno, foi exceção. No segundo, está igual aos outros. Lahn, 30, em grande forma, disparado o melhor lateral-direito do mundo e um dos volantes de maior destaque, imprescindível na seleção, pediu para não ser mais convocado, porque, dificilmente, terá boas condições na Copa de 2018, além de a Alemanha precisar descobrir, preparar, um substituto. Enquanto isso, Kaká, 32, ainda um bom jogador, mas longe do craque que foi, seria convocado novamente, se fossem chamados os que atuam no Brasil, mesmo inferior a Oscar e Willian e do mesmo nível de vários outros jovens que precisam jogar. Foi ótimo para os clubes brasileiros a não convocação de seus jogadores, mas é preciso acabar, definitivamente, com as partidas dos times e da seleção nas mesmas datas, pois isso prejudica não só os clubes, mas também a seleção e os jogadores que atuam no país, como Tardelli, que deveria ter uma sequência na equipe titular. A cartilha da CBF, com milhões de regrinhas de comportamento, é mais uma atitude burocrática, ditatorial, para esconder a falta de boas ideias.

Seleção Dos jogadores que atuam no Brasil e que, provavelmente, seriam chamados, se a CBF não tivesse mudado de atitude, apenas o goleiro Jefferson e o atacante Diego Tardelli seriam titulares. Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, do Cruzeiro tinham grandes chances. Victor e Fábio também mereciam, pois, junto com Jefferson, são os três melhores goleiros brasileiros. Espero que Tardelli não repita o comportamento do ano passado, quando era pedida sua convocação e ele passou a jogar muito mal. Agora, elogiado em todo o Brasil, merecidamente, Tardelli ofendeu o árbitro no jogo do Atlético contra o Bahia, no meio da semana, e vai prejudicar a ele e ao clube.

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