Eleição presidencial no Brasil vai influenciar pleito uruguaio

Para especialistas, eventual derrota regional da esquerda teria impacto na escolha do eleitorado

iG Minas Gerais |

Frente Ampla. Tabaré Vázquez é do partido do presidente Mujica
Natacha Pisarenko/AP - 23.10.2014
Frente Ampla. Tabaré Vázquez é do partido do presidente Mujica

Montevidéu, Uruguai. O primeiro turno das eleições gerais no Uruguai será realizado neste domingo, mesmo dia em que o Brasil vai escolher seu próximo presidente. Segundo analistas, a proximidade dos eventos não está apenas na coincidência de datas, pois o resultado das urnas brasileiras pode influenciar a escolha do novo presidente do Uruguai.  

As últimas pesquisas de intenção de voto indicam que haverá um segundo turno no país vizinho, marcado para 30 de novembro. Nesse caso, se Dilma Rousseff (PT) se mantiver na Presidência do Brasil, a campanha de Tabaré Vázquez, da Frente Ampla (FA), pode ganhar fôlego nas próximas semanas. Por outro lado, uma vitória do candidato do PSDB, Aécio Neves, pode ajudar a candidatura de Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional.

A Frente Ampla é uma coalizão de centro-esquerda, da qual Vázquez e o atual presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, são integrantes. Já o Partido Nacional, também conhecido como Blanco, de Lacalle Pou, tem um perfil mais conservador, de centro-direita. Os partidos Colorado e Nacional haviam se revezado no poder desde a independência do país. A chegada de Vázques à presidência, em 2005, encerrou esse ciclo.

“A eventual vitória de Aécio Neves pode repercutir favoravelmente no discurso da oposição, porque significaria uma grande derrota eleitoral da esquerda em nível regional”, afirmou Ricardo Lopez Gottig, historiador do Centro para a Abertura e Desenvolvimento da América Latina (Cadal).

Um processo similar aconteceu em 2004, quando a FA ganhou as eleições dois anos após a vitória de Luis Inácio Lula da Silva (PT), no Brasil, como destacou Daniel Chasquetti, cientista político da Universidad de la República, no Uruguai. “Pelo menos simbolicamente, uma mudança de rumo na orientação do governo brasileiro pode ser importante para o eleitorado uruguaio”, afirmou.

Para Sonia Maria Ranincheski, historiadora e professora de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Uruguai está passando por um processo de desgaste do poder da Frente Ampla, que governa o país há quase dez anos.

“No início, a FA tinha uma militância muito participante, muito viva, mas, com o passar do tempo, ela foi sofrendo um processo de enfraquecimento”, apontou Sonia. Esse distanciamento enfraqueceu a campanha de rua neste ano, na sua avaliação.

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