Emoção do começo ao fim

Nas eleições mais disputadas desde a redemocratização, reviravoltas na campanha tornam imprevisível o resultado que vai sair das urnas

iG Minas Gerais | Carla Kreefft |

A disputa presidencial mais acirrada desde 1989, quando ocorreu a primeira eleição direta no Brasil após a ditadura militar, foi marcada por reviravoltas que colocaram e tiraram os candidatos de suas posições iniciais, tornando o resultado que vai sair das urnas neste domingo imprevisível. Algumas dessas guinadas estão diretamente associadas às estratégias de marketing. Mas outras são obras do acaso. Foi o caso da morte trágica do candidato do PSB, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.  

O início do processo eleitoral foi marcado pelo favoritismo da candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT). A possibilidade de uma vitória petista no primeiro turno não era descartada nem pelos adversários. Mas a situação mudou a partir de 13 de agosto de 2014, quando o presidenciável Eduardo Campos (PSB) morreu em um acidente aéreo, em Santos, e em seguida, a ex-senadora Marina Silva assumiu a cabeça de chapa e iniciou um processo de ascensão, detectado pelas pesquisas de intenções de voto, obrigando seus adversários a mudarem suas estratégias.

Surpreendidos, Aécio e Dilma iniciaram a desconstrução de Marina, que deixou o tucano em terceiro lugar e se aproximou da petista, segundo as pesquisas.

Ambos atacaram a ex-senadora, que, depois de lançar e mudar seu programa de governo, viu suas intenções de voto desidratarem. Aécio começou então uma trajetória ascendente e protagonizou uma virada surpreendente na última semana antes do primeiro turno, que o levou a alcançar 33,55% dos votos válidos.

De acordo com o professor da PUC Minas Bruno Oliveira, Marina não inspirou confiança para manter seus votos e não resistiu aos ataques. “Então, Aécio surfou na onda do quem tem condições de ganhar”, analisa, apontando a escolha do eleitor que pedia mudança.

Na campanha do segundo turno, o tucano se manteve em alta e ultrapassou Dilma, na condição de empate. Essa situação levou ao acirramento e à tentativa de desconstrução do rival por ambas as partes. Dilma se recuperou, mas, neste sábado, Aécio voltou a crescer. “A tática da desconstrução deu certo de novo. E ficou imprevisível”, afirma o professor.

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