Aécio candidato “nasceu” na varanda da fazenda do avô

Herança política de Tancredo Neves foi antecipada nas brincadeiras com irmã

iG Minas Gerais | Larissa Arantes |

Com o avô Tancredo Neves, Aécio participa do movimento Diretas Já
aécio brasil/divulgação
Com o avô Tancredo Neves, Aécio participa do movimento Diretas Já

Quem via a cena da brincadeira na varanda da fazenda em Cláudio, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, não imaginava que seria tão fiel à realidade de anos mais tarde. Ainda crianças, Aécio Neves e a irmã mais velha, Andréa Neves, fingiam estar em um comício e pediam votos aos eleitores imaginários. A irmã não se tornaria candidata, mas seria o braço direito de Aécio desde os seus primeiros passos políticos no Estado. A fazenda “onde tudo começou” não deixaria de ser o refúgio de férias da família.  

Em Belo Horizonte, Aécio morava com a família na Savassi, região Centro-Sul, e costumava ir à banca em frente à padaria que levava o nome do bairro, na rua Rio Grande do Norte, para comprar figurinhas, e ao Cine Pathé com a mãe, Inês, e a avó Risoleta, para se distraírem aos sábados. Nos dias de escola, o tucano frequentava o Instituto Zilah Frota, ao pé da serra do Curral, no bairro Mangabeiras, colégio muito procurado pelos pais abastados da capital.

O Minas Tênis Clube, na região Centro-Sul, ponto de encontro da elite belo-horizontina, também era um dos destinos da família do tucano mesmo depois de se mudar para o Rio de Janeiro, quando Aécio completou 10 anos de idade. O músico e diretor social do clube Pacífico Mascarenhas relembra o tempo dos grandes eventos. “O pai de Aécio era muito meu amigo. Ele e a esposa iam sempre às festas do Minas. Mesmo depois de terem se mudado para o Rio de Janeiro, continuaram a frequentar o clube”, relata Mascarenhas, que está à frente da diretoria social há 30 anos.

Volta ao estado. Atendendo a um chamado de Tancredo Neves, então candidato ao governo de Minas, aos 21 anos Aécio voltou do Rio de Janeiro, e passou a ser assessor particular do avô. Fotógrafo oficial do Palácio da Liberdade nas décadas de 60 e 70, José Góes, 77, avalia que, mesmo tendo outros netos, foi Aécio quem “herdou a vocação de Tancredo”. “Aécio é o maior herdeiro político do avô”, conta. O amigo da família diz se lembrar do “carinho especial” que Tancredo tinha com o neto. “Ele se orgulhava muito dele”, completa.

A herança não foi só política. Góes relembra das festas que organizava em sua casa no bairro de Santa Tereza, na região Leste da capital. “Tancredo foi à minha casa umas quatro vezes para participar das serestas que eu organizava e, em uma delas, o jovem Aécio estava lá também. Gostava muito de cantar. Puxou o avô nisso aí”, lembra o fotógrafo.

Nessa época, o tucano estudava economia na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, curso que começou a fazer na mesma instituição só que no Rio de Janeiro e concluiu em Belo Horizonte após a mudança de endereço.

Da temporada no Rio, Aécio acabou incorporando algumas características cariocas como puxar o “S”. Passadas mais de três décadas de seu retorno para o Estado natal, ainda hoje é possível perceber a diferença no sotaque. Se a época morando fora modificou alguns de seus trejeitos, uma paixão adquirida quando ainda era pequeno permaneceu: o Cruzeiro. E as histórias sobre o time do coração não são poucas. Certa vez, dias depois da posse como governador de Minas Gerais, simplesmente despediu-se dos funcionários e disse que iria sozinho ao estádio Mineirão. Foi só o tempo de trocar o terno e colocar o “manto azul”.

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