Sede da editora Abril é depredada

Reportagem veiculada por “Veja” motivou ação; Aécio e Dilma repudiaram o ataque

iG Minas Gerais |

Vandalismo. Placas do Grupo Abril estavam pichadas após reportagem sobre o escândalo da Petrobras
MARCO AMBRóSIO
Vandalismo. Placas do Grupo Abril estavam pichadas após reportagem sobre o escândalo da Petrobras

SÃO PAULO. Em protesto contra reportagem de capa da revista “Veja”, cerca de 50 pessoas picharam a sede da editora Abril, localizada na zona Oeste de São Paulo, e espalharam edições picadas da publicação em frente ao prédio na noite dessa sexta.

Segundo a revista, o doleiro Alberto Youssef disse, em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, no seu processo de delação premiada, que a presidente Dilma Rousseff (PT) e o ex-presidente Lula tinham conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras. Candidata à reeleição, Dilma, em seu último programa eleitoral na TV, classificou a reportagem da “Veja” de “terrorismo eleitoral” e disse que a revista “agride nossa tradição democrática” ao publicar as acusações do doleiro “sem prova concreta”. Na calçada, nas paredes e na placa da Abril, que publica o semanário, foram escritas frases como “Veja mente” e “fora Veja”. As pichações são assinadas pela União da Juventude Socialista (UJS), organização de militância jovem ligada ao PC do B. Além de edições da revista, foram espalhados sacos de lixo rasgados e pedaços de papel higiênico em frente ao portão da empresa. Ninguém foi encontrado pela reportagem na UJS para verificar a autenticidade da assinatura nas pichações. Segundo testemunhas, os manifestantes passaram cerca de meia hora no local cantando gritos de guerra contra a revista. Quatro pessoas foram detidas e assinaram um termo circunstanciado e foram liberadas. Procurada, a Abril não havia se manifestado sobre a situação até o fechamento desta edição. REAÇÃO. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) afirmou em nota que “repudia veementemente os ataques”. “A Abert acompanha com preocupação episódios como o de ontem à noite (nessa sexta), pois a entidade considera grave qualquer ato de intimidação à liberdade de imprensa”, diz a nota da associação. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também comentou o ataque ao prédio da editora Abril. Em entrevista à TV Globo, o presidente da OAB, Marcos Vinícus Coelho, disse que é preciso investigar quem são os responsáveis pela pichação. “Vamos verificar o que aconteceu efetivamente porque, neste momento, entendemos que o principal é termos a maturidade institucional para preservarmos a democracia brasileira”, afirmou. PRESIDENCIÁVEIS.Dilma classificou o ato como uma “barbárie”. “Nós só podemos aceitar um padrão de discussão que seja pacífico, com argumentos, que defenda posições e que não ataque uns aos outros. Não se cria um país civilizado, democrático, dessa forma. Repudio integralmente”, afirmou Dilma. O candidato de oposição, Aécio Neves (PSDB), aproveitou a chance para ligar o PT aos ataques à sede da Abril. “Nós assistimos a um atentado contra a democracia, contra a liberdade de expressão, o que já é uma marca extremamente preocupante dos nossos adversários”, afirmou Aécio.

Sem publicidade Negativa. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a revista “Veja” não veicule publicidade paga em rádio, TV, outdoor e internet de sua edição desta semana. Para o ministro Admar Gonzaga, a publicidade da revista se transformou em publicidade eleitoral. A “Veja” recorreu ao STF. Justiça. O pedido foi feito pela campanha de Dilma, para quem a “Veja” agiu para prejudicar a petista. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que deve processar a revista.

Ministro do TSE dá direito de resposta à campanha do PT

BRASÍLIA. O ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu neste sábado direito de resposta à campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) no site da revista “Veja”. A decisão do ministro, de caráter liminar (provisório), manda a revista publicar o direito de resposta “de imediato” no site, “no mesmo lugar e tamanho em que exibida a capa do periódico”. Segundo o ministro afirma na decisão, “o direito de resposta não possui contornos de sanção, mas o exercício constitucional da liberdade de expressão, por meio do mesmo veículo”. 

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