Estado ganha com a eleição

O governador Fernando Pimentel é do mesmo partido de Dilma e tem boa relação com Aécio

iG Minas Gerais | Denise Motta |

Obras. Em 2007, a ministra Dilma, o governador Aécio Neves e o prefeito Pimentel se reuniram para discutir o PAC
CHARLES SILVA DUARTE/O TEMPO
Obras. Em 2007, a ministra Dilma, o governador Aécio Neves e o prefeito Pimentel se reuniram para discutir o PAC

No centro da campanha presidencial, Minas Gerais estará bem com a eleição tanto de Aécio Neves (PSDB) quanto de Dilma Rousseff (PT).

O analista político Leandro Grôppo ressalta que o fato de o governador eleito, Fernando Pimentel (PT), ser do partido de Dilma Rousseff facilita a relação entre Estado e União. Se o senador tucano vencer, Minas também estará ganhando, uma vez que Aécio é do Estado e esteve à frente do Poder Executivo entre 2003 e 2010. Além disso, a relação entre ele e Pimentel sempre foi pautada pela cordialidade, apesar de eles serem de partidos diferentes. “O cenário para Minas é positivo”, destaca Grôppo. Dirigentes políticos em Minas Gerais estão com Aécio Neves, especialmente porque o tucano construiu uma ampla base de sustentação partidária nos últimos 12 anos. Mesmo que o PR e o PDT estejam formalmente na chapa majoritária de Dilma, em Minas estão com o ex-governador. Apoios à parte, os presidentes do PR e do PDT concordam que o Estado ganha com a reeleição de Dilma quanto com a vitória de Aécio. “Dilma ganhando e tendo um governador do partido dela, por certo, não vai deixar de atender o Estado. Caso Aécio Neves ganhe, com a gestão moderna que ele tem, com um novo jeito de administrar, Minas Gerais tem a ganhar também. Ele é mineiro e vai trazer o cabedal que teve no Estado”, afirma o deputado federal e presidente do PR mineiro, Lincoln Portela. O presidente do PDT, deputado federal Mário Heringer, acredita que, por Minas Gerais ser governada nos últimos anos pelo PSDB, acabou sendo alijada. “Por esse antagonismo entre PT e PSDB, ficamos sem melhorias na BR–381 e no Anel Rodoviário e sem o metrô. Agora, com Pimentel no governo, pode ser que exista uma boa relação entre governo federal e Minas”, diz. Apoiador de Aécio, ele destaca ter “certeza absoluta” de que o tucano não irá “retaliar” Pimentel, apesar de estarem em partidos adversários. “Dilma se dedicou a Minas porque nos tornamos o centro da decisão. Com toda a sinceridade, qualquer um dos dois que ganhar não será ruim para Minas. Mas do ponto de vista do governo como um todo, para o Brasil, está na hora de a gente cumprir a alternância no poder. Chega um determinado momento em que não é saudável continuar com um mesmo governo muitos anos. E isso também vale para os Estados”, defende. Segregado. Presidente do PSB estadual, legenda que nacionalmente apoia Aécio, o deputado federal Júlio Delgado pensa que Minas sairá perdendo com a reeleição de Dilma. Com base em críticas à atuação de Pimentel à frente da pasta de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Delgado desconsidera que Dilma seja mineira. “Vai ser muito difícil construir este país depois desta campanha. O país está segregado ao meio”, critica. O próprio Aécio, entretanto, afirmou em entrevista na última quarta-feira que terá uma relação “republicana” com Pimentel caso seja eleito. Ele disse que sempre tratou “com absoluta isenção” os prefeitos do interior do Estado que eram da oposição e que pretende descentralizar as ações do governo federal. Ele ainda afirmou que atenderá Minas Gerais com o novo Marco Regulatório da Mineração.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave