Como atrair mais público?

Festival Estudantil de Teatro organiza debate em que a relação de teatro e escola e formação de público é discutida

iG Minas Gerais | Gustavo Rocha |

Diálogo.Artistas,professores e estudantes participam de debate na sede do Grupo Galpão
DANIEL PROTZNER/DIVULGAÇÃO
Diálogo.Artistas,professores e estudantes participam de debate na sede do Grupo Galpão

Aos poucos, alguns estudantes e/ou aspirantes a artista começam a chegar à sede do Grupo Galpão. Eles se instalam em cadeiras e almofadas que já estão espalhadas pelo chão. Junto a eles, integrantes de coletivos artísticos da cidade também se fazem presentes, assim como um grande grupo de trabalho escalado para debater, durante todo o Festival Estudantil de Teatro (Feto), a questão da formação de público.

O Feto acontece desde 1999 e esta é sua 15ª edição. Com periodicidade anual, ele deixou de acontecer apenas duas vezes. O Cafeto é um de seus braços e já existe há oito anos. Sua ideia principal é discutir temáticas que sejam caras ao teatro, perpassando tanto o teatro nas escolas quanto as escolas de teatro. Após algumas edições do encontro, os organizadores sentiram a necessidade de transformá-lo em algo mais propositivo. “Queríamos nos desviar das lamúrias e da choradeira sobre a falta de incentivo que esse tipo de discussão costuma render”, explica Bárbara Bof, uma das idealizadoras do festival. Por conta disso, completa, se formou um grupo de trabalho voltado a discutir caminhos e iniciativas capazes de estreitar as relações entre artes cênicas e educação. O grupo foi formado por gente diversa: artistas, produtores e professores. “Somos movidos pelo desejo da ação, muitas vezes sem nenhuma reflexão sobre aquilo que fazemos. Temos esse ‘otimismo da vontade’”, ponderou o professor Eduardo Kawamura, citando o pensador italiano Antonio Gramsci. Uma possibilidade. Em meio à discussão mais propositiva do Cafeto, surgiu um diagrama que visa espraiar e enraizar as relações entre o teatro e seu público potencial. Com o nome de Rede de Formação de Plateia, o gráfico tem como resultado A Escola de Espectadores, projeto criado pelo argentino Jorge Dubatti, que tem em sua gênese a ideia de aproximação da linguagem teatral a não-iniciados.

Como ideia de um projeto piloto, a associação No Ato, responsável pelo Feto, terá a oportunidade de colocar em prática o diagrama durante o evento Diálogos Cênicos, que começa na próxima quinta-feira e ocupará o Circuito Cultural Praça da Liberdade até o início de dezembro. Além de dar continuidade a projetos de formação de público, considerados fundamentais pelo grupo de trabalho, surge ali a figura do mediador, que seria uma espécie de “facilitador” para um público não acostumado a ir ao teatro. “Vamos pegar um exemplo prático. O espetáculo da ZAP 18 (‘O Gol Não Valeu’, com estreia prevista para 3 de dezembro, no CCBB) vai estrear dentro dessa programação. Fará uma apresentação à tarde, para escolas, e outra, aberta ao público. Nós já sabemos que escolas estarão no CCBB naquele dia, portanto poderíamos fazer uma visita de algum artista na escola para conversar sobre a peça. Ou ter alguém na entrada do teatro para receber esses espectadores. Depois da apresentação, poderíamos fazer um debate”, sugeriu Bárbara Bof. A grande dificuldade, talvez, seja encontrar pessoas com esse perfil de mediação. Quem seriam essas pessoas? “Nossa ideia é lançar uma plataforma virtual em que a gente possa cadastrar pessoas interessadas em fazer essa ponte”, completou ela. Chico Pelúcio, do Galpão Cine Horto, vê a iniciativa com bons olhos, mas aconselha: “É necessário ter uma equipe cuidando desse projeto oito horas por dia, de maneira profissional para dar certo realmente”. O tempo e os esforços dirão.

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