Toque de realidade em cena

Em crescente na carreira, ator se posiciona com tranquilidade sobre a profissão que exerce, sem deslumbramentos

iG Minas Gerais |

Referências. Para interpretar um personagem dos anos 70, Marco conta que assistiu a filmes como “Trapaça”
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Referências. Para interpretar um personagem dos anos 70, Marco conta que assistiu a filmes como “Trapaça”

Marco Pigossi procura manter os pés fincados no chão. Simpático e falante, o intérprete do Rafael de “Boogie Oogie” desenvolveu um olhar pragmático sobre a carreira, sem qualquer deslumbramento. “Você está trabalhando hoje em uma novela e amanhã pode não ter trabalho. Aprendi com Osmar Prado a guardar um terço do meu salário todo mês”, conta o ator de 25 anos. Por enquanto, Pigossi parece não ter com o que se preocupar. Afinal, desde que viveu o carismático Cássio, de “Caras & Bocas”, sua trajetória vem em uma crescente. De lá para cá, interpretou perfis opostos, como o bad boy Rafael de “Fina Estampa” e o romântico Juvenal de “Gabriela”. Até ser alçado ao posto de protagonista em “Sangue Bom”, de 2013. Mas, para ele, o que mais importa é a possibilidade de vivenciar diversas experiências como intérprete. “Se eu não fosse ator, acho que seria um vazio no espaço. Porque quero ser um pouco de tudo e tenho essa sensação de que a vida é muito curta para ser uma coisa só. Na ficção, já fui mecânico de moto, advogado, florista e, agora, piloto de avião”. “Boogie Oogie” se passa nos anos 70 e você nasceu em 1989. O que fez para se inteirar da época? Nós tivemos um workshop, assistimos a documentários da época, mas eu também fiz uma pesquisa grande. No YouTube, tem a retrospectiva da década de 1970 inteira narrada pelo Cid Moreira. É legal porque traz todas as informações sobre tudo o que acontecia nos âmbitos social e político. Vi “Os Embalos de Sábado à Noite” e “Trapaça” e li a biografia de Patti Smith, que é totalmente anos 70. Também usei muito o filme “Top Gun” como referência para a construção do Rafael por conta da questão do aviador. Fiz esse estudo para cair nessa época que não conheci, para entender melhor todo o contexto. E é um período muito interessante, muito rico, de explosão criativa, de cores, de liberdade. Sempre falo que o trabalho do ator é ir pegando algumas referências para construir, aos poucos, esse mosaico. Quanto tempo antes das gravações você teve para estudar tanto assim? Eu fiquei sabendo dessa novela quando voltei de uma viagem pela América do Sul, em janeiro. Aí, comecei a mergulhar no Rafael e as gravações se iniciaram em maio. Tive um tempo bom para isso. Mas foi divulgado que você estava cotado para integrar o elenco de “O Rebu”. Como aconteceu essa mudança de planos? Eu ia fazer “O Rebu”. Cheguei a conversar com os diretores, li a sinopse e alguns capítulos. Ainda era meio que um namoro, a gente tinha se falado e estava mais ou menos pré-estabelecido que eu faria a novela. Mas, quando voltei de viagem, tive uma conversa com a direção da Globo e acabamos decidindo que talvez “Boogie Oogie” fosse mais interessante. E, para mim, acabou sendo ótimo porque estou muito feliz na novela. Como você lida com esses imprevistos comuns na televisão? Acho normal. Eu me sinto honrado, inclusive, por ser disputado (risos). Para mim, é maravilhoso. E é legal chegarmos em um consenso para decidir o que pode ser mais interessante. E foi o que fizemos. Além de “Boogie Oogie”, você interpretou personagens com o perfil de bom moço em trabalhos recentes, como “Sangue Bom” e “Gabriela”. Houve alguma preocupação sua em não se repetir em cena? Um pouco. Mas são personagens completamente diferentes. Todos eram do bem, mas diferentes. Você pode tentar buscar caminhos diversos para que esses personagens não sejam a mesma pessoa, mesmo sendo outra época, outra história. Se eu tivesse de fazer, em seguida, um papel semelhante ao Rafael, não teria nenhum ânimo. Eu preciso criar alguma coisa que me instigue, que seja diferente.

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