Muito barulho por nada

Com trama fraca e personagens sem apelo, “Geração Brasil” passa despercebida pelo horário das sete

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Dupla. Parceira de Murilo Benício em cena, Taís Araújo consegue segurar o elenco feminino da trama
Globo
Dupla. Parceira de Murilo Benício em cena, Taís Araújo consegue segurar o elenco feminino da trama

Na teoria, “Geração Brasil” já nasceu como um sucesso. Disposta a reverter a baixa repercussão da moderninha “Além do Horizonte”, a Globo escalou a volta de dois de seus autores novos mais promissores, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. Tudo, é claro, na ânsia de repetir os feitos em “Cheias de Charme”, primeira novela da dupla, onde história, linguagem, elenco e estética se alinharam perfeitamente. Para completar a receita, sob o comando da mesma diretora, Denise Saraceni, boa parte do elenco foi repetido, adicionando os fortes nomes de Murilo Benício, Lázaro Ramos e Renata Sorrah. Na primeira semana da novela, no entanto, a resposta do público apareceu e se mostrou totalmente fria. Assim como a trama.

De nada adianta ter todos os aditivos necessários para o sucesso se a história não funciona. E é aqui que reside o calcanhar de Aquiles de “Geração Brasil”. A massa noveleira que acompanha e dita a audiência não conseguiu engolir a história do nerd que vence, conquista os Estados Unidos e depois decide voltar para o Brasil. O sotaque americanizado extremamente forçado foi um dos primeiros indícios da dificuldade da trama em se comunicar com os telespectadores. Associado a isso, as desventuras de uma equipe de nerds querendo o sucesso e personagens histriônicos e mal construídos desde a raiz. Só isso explica o naufrágio do triângulo amoroso jovem da trama, formado por Manu, Davi e Megan, de Chandelly Braz, Humberto Carrão e Isabelle Drummond. Na mesma linha segue o fraco desempenho do ótimo Lázaro Ramos, equivocado e acima do tom na pele do guru Brian. Além da atuação entediante de Murilo Benício, como o protagonista da trama, o excêntrico e insosso Jonas Marra.

“Geração Brasil” não foi feita apenas de erros. Leandro Hassum roubou a cena com o que sabe fazer de melhor: ser ele mesmo. Luis Miranda chamou atenção e se empenhou nas cenas da misteriosa Dorothy. E na pele da batalhadora Verônica, Taís Araújo conseguiu ser o principal destaque feminino da trama. Uma exceção em meio aos tantos desempenhos repetitivos de atores que também estiveram em “Cheias de Charme”. Mesmo com o marketing de ser uma novela muito próxima ao sucesso das empreguetes, o público não pareceu disposto a encarar de novo as mesmas caras. Ao apostar em mais do mesmo, a novela não teve cacife suficiente para encarar as trocas de horário por conta da Copa do Mundo e muito menos para promover um levante depois dos jogos. Sem mocinhos memoráveis ou vilões marcantes, “Geração Brasil” termina do mesmo jeito que começou: morna e sem relevância, com audiência geral de 18 pontos.

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