Levir já faz planos para o futuro: "quero ser comentarista"

Discurso introspectivo carrega tons de despedida; mais uma vez, o treinador, caminhando para o fim de sua jornada, brinca com a própria sorte

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Levir se prepara para despedida do mundo da bola
BRUNO CANTINI/ATLÉTICO
Levir se prepara para despedida do mundo da bola

Treinador de futebol. Uma das profissões com o maior índice de cobrança do planeta, onde cada ato merece ser tomado com cautela. No limiar entre a lógica e a emoção, vários pensamentos dominam a mente de um técnico na beira do campo. Reações que vão muito além dos pedidos das arquibancadas. Alguns tantos suportam o fardo, outros sentem no físico a pressão que lhes é imposta.

Levir Culpi é uma daquelas figuras clássicas do mundo da bola. Um treinador que aprendeu que mais do que competência é preciso ter sorte para seguir à frente de um time de futebol. A afirmação é tão verdadeira que em uma obra de sua própria autoria intitula-se como um "burro com sorte". Mas as histórias à beira do campo podem estar com os dias contados.

"O nível de estresse (da profissão de treinador) é comparado a uma arritmia. Eu vou passar a estudar isto, estou ficando preocupado", diz Levir ao analisar os recorrentes casos de treinadores sofrendo com problemas de ordem médica. O último deles foi Guto Ferreira, da Ponte Preta, internado com arritmia cardíaca após duelo de sua equipe pelo Brasileirão da Série B. E olha que a Macaca é a líder do torneio!

Aos 61 anos, Levir traz no semblante uma tranquilidade, talvez aprendida durante tantos anos em terras orientais, que o faz enxergar o futebol com outros olhos.

"Estou procurando ficar um pouco isento das críticas e observar mais. Estou querendo centrar em mim mesmo, tomar as minhas próprias decisões. Fiz tantas coisas calculadas nas outras pessoas, sem nunca ter a certeza de que daria certo", avalia.

O discurso introspectivo carrega tons de despedida. Mais uma vez, o treinador, caminhando para o fim de sua jornada, brinca com a própria sorte. Idealiza, compara e planeja seu futuro, atrelado à bola, é claro! Só que desta vez em uma posição mais branda e sem a pressão que lhe vem sendo peculiar há duros anos.

"Tem muitas profissões com mais pressão que a de treinador. Um piloto de avião, por exemplo. Acho que é uma situação meio desconfortável. Agora uma das melhores que têm é a profissão de comentarista esportivo, pretendo ser um muito brevemente. Nesta profissão você pode jogar com 22 jogadores, fazer seis substituições e nunca mais perder um jogo. Só que você tem que convencer seu ouvinte, telespectador. Talvez já seja um a partir de janeiro do ano que vem", expõe o treinador causando um certo frisson entre os jornalistas.

Seria realmente o fim da linha? O professor despista. "Eu estou me sentindo bem. Ainda estou sentindo aquela adrenalina. Meu medo é este, de perder a adrenalina do jogo. Ir pescar é uma coisa, agora fazer um jogo do Atlético é outra coisa completamente diferente", explica.

Poderia então as justificativas para uma aposentadoria iminente serem diluídas com resultados empolgantes? Basta avaliar o atua momento do Galo, quarto lugar do Brasileiro e semifinalista da Copa do Brasil. Esta indagação Levir responde sem rodeios.

"Acho que não, não vejo ligação nenhuma. Vou tentar estas conquistas de qualquer jeito, mas vou deixar correr. Isto é outra coisa que aprendi na vida, eu nunca fiz muitos planos. As coisas vão acontecendo. Já fui para muitos lugares e não aconteceu nada. Já fui em outros achando que era terra arrasada como o Botafogo e saí feliz da vida. A gente nunca sabe o que vai acontecer, é por isto eu não faço planos", finaliza o treinador.