Denúncia da Veja é um processo golpista, afirma Dilma

Atual presidente lamentou os ataques de vandalismo na sede da Editora Abril e afirma que denúncia não condiz com o regime democrático; candidato tucano disse que país "merece uma resposta daqueles que hoje governam"

iG Minas Gerais | Da redação |

A presidente da República, Dilma Rousseff (PT), voltou a classificar a reportagem da revista Veja - segundo a qual ela e o ex-presidente Lula tinham conhecimento das irregularidades ocorridas na Petrobras - de "processo golpista" . De acordo com Dilma, a denúncia não condiz com uma situação democrática. Perguntada, em entrevista em Porto Alegre, sobre a possibilidade de vencer a eleição mas não poder governar em um eventual processo de impeachment, a presidente afirmou que a denúncia em si é absurda. "Tenho uma vida inteira que demonstra meu repúdio à corrupção. Não compactuo com a corrupção, nunca compactuei. Quero que provem que compactuo, e não esse tipo de situação que insinua sem provas", disse em coletiva na capital gaúcha, antes de participar de caminhada com militantes no centro da cidade. Dilma disse que investigará "a fundo" tanto o caso da Petrobras como outros casos de corrupção do Brasil, "doa a quem doer". Segundo ela, o Brasil sempre engavetou ou deixou prescrever esse tipo de processo. "Comigo não vai acontecer isso", falou. Visivelmente indignada, a presidente também disse que os responsáveis por injúrias e calúnias devem ser punidos. "Vou informar à nação, não dessa forma seletiva que permite que bandidos que tentam salvar a sua própria pele façam acordos políticos e digam coisas sem fundamento", afirmou, referindo-se ao doleiro Alberto Youssef, que assinou um acordo de delação premiada e teria feito acusações contra Dilma e Lula, segundo a revista Veja. "Não se pode tratar uma presidente da República assim a três dias da eleição. Por que isso não apareceu antes, que história é essa?", questionou Dilma. "Minha indignação é proporcional à injustiça que estão cometendo e ao uso político que estão fazendo disso." Vandalismo. Dilma aproveitou para lamentar os atos de vandalismo na noite de ontem que aconteceram na sede da Editora Abril que publica a revista. Cerca de 200 pessoas se reuniram em um protesto de frente ao prédio, em Pinheiros, na região Oeste de São Paulo, e jogaram bastante lixo na portaria, além de escrever frases como "Veja mente" e "Fora Veja" pelos muros e também nas calçadas.

"Não concordo, repudio todas as formas de violência como resposta e discussão política. Isso é uma barbárie, não deve ocorrer, deve ser coibido. Ou seja, nós só podemos aceitar um padrão de discussão que seja pacífico, com argumentos, e que defenda posições e não ataque uns aos outros", revelou.

A Ordem dos Advogados do Brasil  (OAB) também se manifestou a respeito do ataque ao prédio da editora Abril.  "Vamos avaliar os fatos, vamos com calma e principalmente após as eleições verificar o que aconteceu efetivamente, porque nesse momento entendemos que o principal é termos a maturidade institucional para preservarmos a democracia brasileira", afirmou. 

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) também afirmou em nota que “repudia veementemente os ataques”.  “A Abert acompanha com preocupação episódios como o de ontem à noite, pois a entidade considera grave qualquer ato de intimidação à liberdade de imprensa. A Abert lembra que a Declaração de Chapultepec, da qual o Brasil é signatário, aponta uma imprensa livre ‘como uma condição fundamental para que as sociedades resolvam os seus conflitos, promovam o bem-estar e protejam sua liberdade’”, diz a nota. Repercussão. A Procuradoria Geral da República informou que recebeu uma  representação em nome da coligação do candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves. Na representação, a coligação pede que as investigações denunciadas pela revista Veja sejam aprofundadas, "para se apurar a prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, prevaricação e formação de quadrilha ou bando (associação criminosa), dentre outros".

Em pronunciamento a jornalistas no Rio, Aécio Neves classificou a denúncia como "extremamente grave". "Determinei que hoje o PSDB ingressasse na Procuradoria Geral da República solicitando que essas investigações sejam aprofundadas em razão da sua gravidade, chamando a atenção ainda para uma parte do depoimento do senhor Youssef, que diz que um dos coordenadores da campanha do PT solicitava que fossem repatriados - portanto, que retornasse ao Brasil – R$ 20 milhões para a atual campanha eleitoral. Se comprovado isso, é a confirmação de que houve operação de caixa dois na atual campanha presidencial do PT", acrescentou.

Segundo o candidato tucano, o Brasil "merece uma resposta daqueles que hoje governam" o país. "Infelizmente, até agora a única manifestação do PT foi pela censura. Foi pela retirada de circulação da maior revista nacional. Essa não é, certamente, a resposta que os brasileiros aguardam, e o TSE negou provimento a essa solicitação do PT. Não se trata de impedir a divulgação. O que o Brasil aguarda são esclarecimentos cabais e definitivos a partir dessas informações e dessas acusações", relata.

Com informações das Agências Estado e Folhapress 

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