Mais mil pontos para Neymar

iG Minas Gerais |

Tive o prazer de escrever minha primeira coluna neste espaço sobre um dos já maiores jogadores da história do futebol mundial, embora muito jovem ainda. Em janeiro do corrente ano, o escândalo envolvendo a venda de Neymar para o Barcelona estava no auge, colocando em certo risco, à época, a imagem de um menino que sempre mostrou muita maturidade para lidar com toda a mais do que merecida fama que já tinha, graças ao dom de jogar futebol como poucos; sempre lembrando que a lambança nesse caso foi causada pelo pai do atleta, que sempre esteve à frente da carreira do filho. Disponível no portal O Tempo, assim como todos os outros, esse primeiro texto, publicado em 25 de janeiro, diz que o jogador iria superar facilmente a crise momentânea, jogando muita bola, como sempre fez, o que se confirmou e continua se confirmando. Mas o motivo da coluna de hoje não é apontar o que errei ou acertei, algo comum para quem trabalha com opinião, ainda mais no esporte. A atitude corajosa do garoto, em declarar o voto para presidente da República, independentemente em quem seja, e gravar um vídeo mostrando isso, denota o quanto o homem Neymar, de apenas 22 anos, já tem consciência de como sua imagem é importante e de como os ídolos têm um papel preponderante na construção de uma sociedade melhor, sempre democrática e que respeite opiniões contrárias. O garoto, que nem mora no Brasil, poderia ter ficado na dele, sem correr o risco de ficar bem ou mal com A ou B. Mas não, foi muito destemido, e, de quebra, inteligente na escolha. Mais legal ainda do que a coragem, foi o conteúdo da declaração do “parça”. Além de “abrir” em quem vai votar, ele pediu que o povo brasileiro vá às urnas neste domingo e que não vote branco ou nulo, numa cabal e irrefutável demonstração, claro que com a supervisão de sua equipe de comunicação, do quanto o rapaz está sabendo trabalhar sua imagem. Aliás, hoje, às 14h (de Brasília), pelo Espanhol, acontece o maior jogo entre clubes no mundo, o clássico entre Real Madrid e Barcelona, um deleite para quem gosta de um bom e bem-organizado futebol. Outro fato que já me chamara a atenção na história que Neymar está apenas começando a construir foi a maneira como ele agiu quando noticiou-se que uma adolescente estava grávida dele. Em momento algum o garoto titubeou ou tentou se esquivar. Imediatamente, como fazem os homens de verdade, que não acham que o mito é maior do que o cidadão, assumiu suas responsabilidades, bem diferente de um outro grande ícone do futebol, o maior de todos. Pelé só assumiu sua filha, que até já morreu, por determinação da Justiça, uma atitude inexplicável do ponto de vista do bom senso e da ótica de quem tem amor no coração, mas cada um faz da vida o que quer, mas colhe as consequências. Por falar em consequências, a volta de Jô ao elenco do Atlético é uma afronta aos demais jogadores que cumprem suas obrigações para com o clube, embora a diretoria esteja numa sinuca de bico, é preciso admitir. Jô não tem mais a menor condição profissional para continuar no clube, a quem deixou na mão por vezes com seus sumiços. Se bem que, com a bolinha que ele vem jogando, passou a ser reforço ficando fora. Foi perdoado e voltou a desrespeitar os colegas e a torcida sumindo de novo. Aliás, respeito aos outros não é o forte de Jô, basta perguntar para seus vizinhos.

Sinuca explicada. Não posso acreditar que o competente Eduardo Maluf e o boleiraço Alexandre Kalil acreditem que Jô ainda pode acrescentar algo. Muito pelo contrário. Mesmo amigo dos jogadores, ele passa a imagem de descompromisso e de ser protegido no clube, com seguidos perdões. Contudo, é justamente essa imagem que o Galo tenta não manchar ainda mais para, quem sabe, ainda conseguir vendê-lo.

Língua queimada. É muito fácil ser comentarista de resultado e ficar em cima do muro para agradar a todos ou não desagradar a ninguém. Na semana passada, escrevi que Dedé deveria sair do time do Cruzeiro, pois suas falhas poderiam colocar em risco o título do Brasileiro e, até, quem sabe, o da Copa do Brasil. No dia seguinte, ele fez o gol que deu o triunfo do Cruzeiro sobre o Vitória. Ossos de um ofício no qual é preciso opinar.

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