Carros ‘inteligentes’ procuram vagas e previnem distrações

Semiautônomos têm conexão à internet e dão sugestões aos motoristas

iG Minas Gerais | Aaron M. Kessler |

Modelo. Engenheiro da Honda R
JEFF KOWALSKY
Modelo. Engenheiro da Honda R

Detroit, EUA. O carro sem motorista do Google ainda pode estar sendo desenvolvido, mas o potencial para veículos semiautônomos nas estradas norte-americanas não é mais coisa de ficção científica. Até o fim desta década, um número cada vez maior de montadoras deve oferecer alguma forma de direção que não utilize as mãos ou os pés, em que o motorista pode se sentar e deixar o carro assumir o controle.

A própria natureza do modo de dirigir, dizem os especialistas, vai ser remodelada radicalmente – e as grandes empresas da indústria automobilística estão disputando uma fatia do mercado revolucionário, que acreditam estar muito próximo.

“Este é o ano que será visto como o momento da mudança. Estamos no início de uma geração de transporte completamente nova, que transformará tudo, do mesmo modo que aconteceu com o sistema de autoestradas interestaduais de Eisenhower”, disse Scott Belcher, presidente da organização sem fins lucrativos Intelligent Transportation Society of America (Sociedade Americana do Transporte Inteligente), que há sete anos ajuda a organizar uma exposição mundial de Carros Conectados.

Inteligente. O potencial vai além da ideia de um controle de cruzeiro turbinado. O Carro Conectado de 2020 irá trafegar pela estrada, ultrapassar outros veículos e até mesmo pegar a próxima saída sozinho.

Ele vai advertir os motoristas sobre perigos como pedestres ou ciclistas que de repente cruzam o tráfego e, se não reagirem a tempo, o carro pode assumir o controle – freando ou desviando antes que seja tarde demais.

O veículo irá monitorar os olhos do motorista, verificando se estão fechados e acordando-o caso adormeçam ao volante. E estacionar? Esqueça a busca por uma vaga no shopping: os carros vão encontrar vaga sozinhos.

Os veículos que em breve estarão disponíveis para a maioria dos norte-americanos vão usar uma combinação de sensores e comunicação entre carros para transformar o modo tradicional de dirigir.

Segurança. Com aproximadamente 33 mil mortes no trânsito todos os anos nos Estados Unidos, o potencial para salvar muitas dessas vidas por meio da tecnologia está finalmente mais próximo, dizem as montadoras e os reguladores de segurança.

Gerald J. Witt, da empresa de peças Delphi, disse que a companhia estava trabalhando em um sofisticado monitoramento de direção que, até 2016, poderá estar pronto para a linha de montagem. O sistema saberá quando o motorista está distraído ou quase dormindo ao volante. O objetivo é explorar outros aspectos do Carro Conectado, como a conexão com a internet, não só para alertar os motoristas, mas também para oferecer sugestões oportunas.

“Se suas pálpebras se fecham com uma frequência que mostra que você está quase dormindo, o carro dirá: ‘Ei, parece que você está cansado; tem um Starbucks logo em frente. Quer um café?’”, Witt disse.

Humanos. Já a GM aposta no modo Super Cruise. O porta-voz da empresa Daniel Flores, diz que, até agora, o recurso foi projetado para manter um veículo na velocidade e na mesma pista, mas que o motorista vai precisar virar a direção para mudar de faixa. Os recursos de semiautomação irão inicialmente se limitar à estrada. Isso porque, em alta velocidade, os cenários são mais previsíveis do que os das ruas: todos os veículos estão indo na mesma direção e não há congestionamento.

E embora esse método de direção possa se resumir à inteligência de máquina, os carros automatizados de 2020 ainda precisarão do elemento humano para lidar com o imprevisível.

“O motorista precisa permanecer atento caso seja necessário assumir o controle; não dá para dormir ou se sentar no banco de trás, mas certamente permitirá maior conforto e tranquilidade”, disse.

Disponível

Cadillac. A GM anunciou que sua tecnologia Super Cruise – versão de condução autônoma na estrada da empresa – estará disponível dentro de dois anos em alguns modelos de Cadillac.

Receitas devem aumentar Detroit. Um relatório lançado no início de outubro pela empresa de consultoria McKinsey & Co. prevê que as receitas associadas à tecnologia do Carro Conectado vão crescer e ultrapassar os US$ 230 bilhões até o fim da década, seis vezes mais que os níveis atuais. Acredita-se que recursos ativos de segurança como frenagem de emergência e outros artifícios de condução autônoma devem reter a maior parte dessas receitas. Mas o crescimento da produção de carros inteligentes poderia definir uma “redistribuição das receitas” entre as montadoras e outras empresas.

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