Interior agradável é a marca registrada do Peugeot 2008

SUV, que será feito no Brasil, tem o requinte como grande atrativo; modelo será alternativa mals requintada ao Ford EcoSport e Renault Duster

iG Minas Gerais | Eduardo Rocha |

Peugeot 2008
Eduardo Rocha/Carta Z Notícias
Peugeot 2008

A PSA definiu com clareza o espaço que cada uma de suas marcas vai ocupar no mercado mundial. Nesse desenho, coube à Peugeot atuar em amplo espectro, mas com refinamento. E o utilitário-esportivo 2008 está bem adequado a esse perfil. O modelo entrou na linha da fabricante francesa com duas funções: herdar os consumidores mais familiares do Peugeot 207 SW e atrair os mais jovens, pelo apelo aventureiro.

No Brasil, onde o modelo já está em pré-produção em Porto Real (RJ), terá uma função um pouco diferente. A marca vai tentar temperar com uma dose de robustez a imagem elegante que tem por aqui. A partir do dia 30 de outubro, o 2008 será a grande estrela do estande da montadora no Salão do Automóvel de São Paulo, no Anhembi, numa espécie de preparação para o lançamento no mercado, que deve acontecer ainda no primeiro trimestre de 2015.

A intenção da Peugeot não é disputar a liderança com o Ford EcoSport ou o Renault Duster, mas ser uma alternativa um pouco mais luxuosa e exclusiva – exatamente como ocorre com o hatch 208 em relação à maioria dos compactos do mercado. E, de fato, se a Peugeot não fizer alterações fortes, que mudem algumas características básicas do 2008, não há mesmo outra vocação para o crossover. Mesmo as versões mais simples, que usam materiais menos nobres no revestimento, trazem os sinais dessa intenção da Peugeot de atuar em um segmento levemente superior ao de outras marcas generalistas.

Impressões

A lógica de ocupação da cabine da Peugeot, que eleva os instrumentos à altura, foi inaugurada no hatch compacto 208 e replicada no hatch médio 308. Mas nunca esteve em melhor forma que no 2008. A maior altura do crossover permitiu que os instrumentos fossem um pouco maiores e que o volante ficasse em uma posição bem semelhante à tradicional. Mesmo assim, ele ainda é ligeiramente menor, o que tende a acender uma pulsão esportiva em quem o empunha. A estabilidade do modelo até se mostra capaz de sustentar uma certa agressividade, mas não o motor 1.6 16V de 120 cv.

O propulsor oferece acelerações uniformes e progressivas. Mas boa parte do mérito de acelerar de 0 a 100 km/h abaixo dos dez segundos é do câmbio automático de cinco marchas. Ele é um primor de suavidade e, mais que isso, mantém uma conversa muito bem afinada com o motor. Mesmo que o vigor do conjunto não seja capaz de impressionar ninguém, o 2008 é um carro agradável, inclusive para os demais ocupantes que não estão no comando.

A vida a bordo no crossover da Peugeot está, de fato, em um nível mais elevado. Na versão top Feline, o nível de acabamento é superior até ao de modelos compactos de marcas premium. Revestimento em alcântara e couro, luz de LED em torno do teto panorâmico, mistura muitíssimo bem dosada de materiais, isolamento acústico de boa qualidade. O teto elevado oferece um espaço interno generoso para joelhos, ombros e cabeça.

A ergonomia dos bancos também é das melhores. Ele tem abas bem largas, para segurar bem o corpo nas curvas, e é macio o suficiente para compensar a rigidez da suspensão. Esse acerto, inclusive, responde à elevação da carroceria com sobras. Dinamicamente, o 2008 se comporta como se fosse um hatch.

Leia tudo sobre: Peugeot2008utilitário-esportivoSUV