O retorno de Orlando Castaño

iG Minas Gerais | Gustavo Rocha |

Sem título, óleo sobre tela, que integra exposição de Castaño
ORLANDO CASTANO/DIVULGAÇÃO
Sem título, óleo sobre tela, que integra exposição de Castaño

Se as artes visuais no Brasil vêm progressivamente se abrindo a linguagens como a instalação e a performance, em misturas com dança, vídeo e materiais alternativos, há ainda alguns artistas que “resistem” às novas tendências e praticam modalidades mais tradicionais de criação artística. É o caso do pintor Orlando Castaño, em cartaz com a exposição “Abstrato”, na Galeria Murilo Castro. “Eu digo que sou um dos últimos pintores vivos da minha geração”, comenta ele. Castaño se refere à geração de 1950, que se concentrava na produção de quadros (óleo sobre tela) abstratos. “Eu compararia meu trabalho com um quadro renascentista, mas sem ter figuras e objetos muito claros”, pontua ele.

A exposição conta com 15 quadros, em grandes tamanhos (alguns com mais de dois metros de altura), que abrange um período de 24 anos, do início dos anos 1990 até hoje. “Eu fiquei muito tempo fora do país, e existe um mercado que ainda não conhece meu trabalho”, pontua. Trajetória Castaño nasceu nos anos 1940, em Mutum, no Norte de Minas Gerais, mas veio para Belo Horizonte ainda menino. Sua carreira começou precocemente, aos 14 anos, quando ele já se dedicava ao desenho. Foi um deles que o levou para Madri, na Espanha, onde estudou artes plásticas e, na sequência, o artista foi viver em Berlim. “Eu não tinha ideia que passaria tanto tempo na Alemanha”, revela ele, que saiu do Brasil em 1973 e voltou apenas em 1985. Depois disso, passou a lecionar na Escola Guignard, onde atuou até 2006. O período em que Castaño esteve fora do Brasil foi justamente o que compreende os anos de chumbo da ditadura militar, depois do nefasto AI-5, assim como os sopros de reabertura democrática em meados dos 1980. Na visão do artista, contudo, os censores da Ditadura Militar acabaram não interferindo tanto no trabalho dos artistas plásticos brasileiros. “Acho que os maiores prejudicados e perseguidos foram os intelectuais e os escritores. Para as artes plásticas, os censores não tinham uma compreensão, uma sensibilidade tão grande”, finaliza o pintor. Abstrato De Orlando Castaño Galeria Murilo Castro (r. Antônio de Albuquerque, 377, sala 01, Savassi, 3287- 0110). De segunda à sexta-feira, das 10h às 19h; e aos sábados, das 10h às 14h. Entrada gratuita. Até dia 21 de novembro.  

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