Novas danças e possibilidades

iG Minas Gerais | Giselle Ferreira |

“Quantum”, da Cie Gilles Jobin, da Suíça, abre a programação do FID 2014
Filip Vanzieleghen/Divulgação
“Quantum”, da Cie Gilles Jobin, da Suíça, abre a programação do FID 2014

Inovação, experimentação, desconstrução. A arte contemporânea é tão fluida quanto pode ser e a dança, especialmente, é um constante exercício de liberdade. E é guiado pela negação de recortes temáticos e de definições – estéticas, de expressão, de percepção e de formatos – que o Fórum Internacional de Dança (FID) 2014, traz à cidade oito espetáculos. Artistas vindos da Bélgica, França, Suíça e Uruguai se juntam a brasileiros para apresentações, debates e imersões, que buscam consagrar o Fórum como fábrica de novas possibilidades.

“Dizemos que não vamos apresentar trabalhos enlatados ou fórmulas prontas porque já somos bombardeados demais pelo consumismo e pelo estilo de vida do ‘sem tempo para’ o lazer e para o encontro. A arte precisa ter esse papel, de nos ajudar a enxergar novos caminhos e a entender as coisas por outra perspectiva”, comenta a bailarina, coreógrafa e diretora artística do FID, Adriana Banana. Ela divide a curadoria desta 19ª edição com a dançarina e produtora belga Dorothé Depeauw e ambas concordam em partilhar a responsabilidade com o público. “O FID é público e o público é o FID. A nossa ideia é que a interação entre o palco e a plateia aconteça o tempo todo”, diz Dorothé, revelando a intenção de que o evento seja um diálogo constante entre corpos. Performance E a proposta vem para lembrar que nem só de corpos humanos se fazem as danças e nem só de assuntos agradáveis se fazem os diálogos. Neste sentido, a performance do grupo belga ZOO, por exemplo, transforma o corpo em objeto e o objeto em corpo. O único espetáculo infantil da mostra, “Danse Étoffée sur Musique Déguisée”, idealizado por Thomas Hauert, tem como trilha sonora a composição “Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado”, de John Cage. Em cena, Mat Voorter, sem seguir uma narrativa teatral, recria seu corpo com o auxílio de balões, cobertores e cabos de vassoura. Já as apresentações da performer Eliana de Santana são das que colocam em jogo a ideologia para propor a ruptura entre expectativa e realidade. Em “Afro Margin” e “Lost in Spaceshit”, a coreógrafa e bailarina negra colocam em pauta tabus, assim como “Disabled Theater”, do Teatro Hora (Suíça) discute a fronteira entre a normalidade a anormalidade. Formado por atores profissionais com deficiência intelectual, o espetáculo se apresenta como uma dança-teatro. Entre Conversas com a pesquisadora Rosa Hercoles, o coreógrafo Gilles Jobin, e o físico Cláudio Lenz, juntamente com a lista do FID Território Minas – braço da programação que apresenta trabalhos em processo – completam o ciclo da mostra, fiel à proposta de “abertura” e “flexibilização” das artes cênicas. Grupos como o EntreCorpos e a Companhia Suspensa apresentarão pesquisas de diferentes espetáculos. Joelma Barros ainda mostrará em cena como foi redescobrir seu corpo dançante após uma cirurgia. “Para contrariar a ordem das coisas, queremos chamar atenção para o ‘entre’”, conclui Adriana. FID 2014 De 29/10 a 9/11. Teatro Oi Futuro Klauss Vianna, Centro Cultural Banco do Brasil, Centro Cultural Vila Santa Rita, Centro Cultural Alto Vera Cruz e Centro de Arte Suspensa Armatrux. R$ 6 (inteira). 

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