Decisão no último minuto

iG Minas Gerais | Vittorio Medioli |

Chegou o dia de votar, um momento importante para o Brasil que se divide na preferência entre dois mineiros que nasceram em Belo Horizonte.

A campanha no segundo turno deixou no ar que se defrontam dois projetos. Um de Dilma, que quer continuar apesar de sinais de exaustão da força de renovação que carregou por 12 anos o governo petista; outro de Aécio, que pretende mudar o rumo, nem tanto no atendimento social, mas nas diretrizes do governo, impingindo maiores “profissionalismo” e ética. Isso ele deixou claro, e parece que o “mercado” econômico o entendeu, refletindo-se na oscilação dos índices da Bolsa de Valores e do dólar, positivos sempre que ele aparece com mais condições de vitória.

Dilma está em crescimento na reta final e, se ganhar mais um mandato, ela o deverá, mais que aos acertos dela como governante, aos erros de Aécio como adversário nesta campanha. Com a economia do país em queda, com resultados fracos, com muitos rótulos e escasso conteúdo, na beira do abismo de uma grave crise econômica, seu adversário ainda não encontrou uma fórmula eficaz de penetrar no reduto de Dilma.

Seja quem for o vencedor no domingo, muitas medidas precisarão ser tomadas, já na segunda-feira, para endireitar o barco e uma economia nacional, esgarçada pela ineficiência, pelo clientelismo, pela medíocre qualidade dos serviços prestados.

Mas o que faltou a Aécio para estar em melhor condição nesta reta final e correr apertado contra o tempo? Parece que foram propostas reais e claras,além da repetida exaustivamente de “tirar o PT” do poder e que mostrassem um avanço também no atendimento social. Reafirmou que melhorará o atendimento, mas se esqueceu de dizer como e, ainda, de acenar pontualmente ao Nordeste com um plano que aumente suas oportunidades de crescimento em todos os sentidos.

Já se notou isso em Minas quando o candidato Pimenta de Veiga perdeu de Fernando Pimentel e o próprio Aécio ficou atrás de Dilma no primeiro turno, contrariando todas as expectativas iniciais. O Brasil ficou perplexo com esse resultado. Evidentemente algo falhou, e esse erro se deu principalmente em Minas. Excepcionalmente no Norte de Minas, que entrou nas urnas desequilibrando a favor de Pimentel e Dilma. Parece pouco, mas apenas um empate no Norte de Minas daria a vitória a Pimenta da Veiga e Aécio.

A história pode se repetir no domingo em escala nacional, exatamente com Minas, Estado em que os equívocos tucanos (e os acertos petistas) foram maiores decidindo o certame. Se Dilma ganhar, o deverá em grande parte ao excepcional desempenho de Pimentel em Minas, que em termos de estratégias e métodos esbanjou eficácia.

Quem quer encontrar os maiores acertos e os maiores equívocos precisa ir ao fundo da bateia de Minas: aí está o metal pesado desta eleição.

Escrevi este texto na quinta-feira, antes do debate de sexta-feira na Globo, último ato desta campanha. Aécio pode ter um desempenho extraordinário como teve na véspera do primeiro turno, deslanchando assim no momento mais importante. Dilma pode se apresentar mais preparada para o duelo. Enfim, depois de anos de preparativos, esta eleição será decidida no último minuto.

 

 

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