Caymmi by Casuarina

iG Minas Gerais | Milton Luiz |

Grupo Casuarina, que ficou conhecido na Lapa carioca, interpreta clássicos de Caymmi
joao felipe severo/divulgação
Grupo Casuarina, que ficou conhecido na Lapa carioca, interpreta clássicos de Caymmi

 

Não é fácil encarar o repertório de Dorival Caymmi. O Buda Nagô (apelido dado a Dorival por Gilberto Gil) sempre dizia ser ele mesmo o melhor intérprete de suas músicas. No fim da vida, abriu uma exceção para João Gilberto. “Algumas interpretações dele (de João Gilberto) considero melhor do que as minhas”, teria dito o pai de Nana, Dori e Danilo. O episódio é lembrado por João Cavalcanti, do Casuarina, grupo que topou o desafio de encarar o cancioneiro de Dorival no show “No Passo do Caymmi”, que chega à cidade na sexta (31), em apresentação única no teatro Bradesco.   Cavalcanti admite, sim, certa dificuldade quando se decide cantar Dorival. Mesmo porque algumas das músicas do baiano já mereceram inúmeras gravações. “O que confortou e deu tranquilidade ao Casuarina é que, em 13 anos de carreira, moldamos uma linguagem. E é essa linguagem que deu unidade ao trabalho de cantar Dorival”, conta Cavalcanti.   Para ele, o grande diferencial do baiano foi a capacidade única de unir sofisticação e coloquialidade. “Foi um cara que inaugurou uma linguagem estritamente coloquial dentro de um ambiente musical, harmônico e melódico absolutamente sofisticado. Em nenhum lugar do mundo se alcançou esse nível de maturidade entre sofisticação e síntese. Ele não deixou uma obra extensa, dado o tempo que viveu. É uma obra até, com todas as aspas possíveis, pequena em tamanho, mas gigante em dimensão, expressão e significado. Dorival é incopiável. Não tem como fazer uma música meio tipo Dorival”.   Ele destaca ser Dorival o protagonista de uma história marcante na música brasileira. “Poucos caras conseguiram tal façanha. Talvez Jorge Ben Jor chegue próximo disso. Ou Baden Powell e Vinicius de Moraes, João (Bosco) e Aldir (Blanc), Wilson Moreira e Nei Lopes tenham chegado perto disso... Mas são poucos os que mudaram os paradigmas da música brasileira como Dorival fez. Nesse sentido, ele é único”.   “No Passo de Caymmi”, o show, acabou dando origem a um CD (que chega às lojas nos próximos dias) em que pela primeira vez o grupo dispensou overdubs (gravações adicionais de estúdio) e não contou com convidados especiais. Ao lado de Daniel Montes, Gabriel Azevedo, João Fernando e Rafael Freire interpretam, entre outras, “Dora”, “Marina”, “Só Louco”, “Saudade da Bahia”, “Sábado em Copacabana”, “Saudade de Itapoã” e “Maracangalha”.   Filho do compositor pernambucano Lenine, Cavalcanti não se furta a apontar um ponto de convergência entre o violão do pai e de Caymmi. “O ponto chave é que são dois violões de percussão. As pessoas negligenciam um pouco o Dorival violonista. Talvez porque ele foi um compositor vigoroso e um intérprete marcante. Mas Caymmi foi um exímio violonista. Ele incorporou as harmonias do samba do Recôncavo baiano e depois imprimiu uma pegada mais urbana ao seu violão. De alguma forma, sem querer ele antecipou um pouco o o que seria o violão da Bossa Nova”, conta Cavalcanti, que volta à cidade em novembro com outro projeto dedicado a Caymmi. Ao lado de Teresa Cristina apresenta no palco do CCBB “Requebre que Eu Dou um Doce”, show dedicado às mulheres de Caymmi.   Casuarina No show "No Passo de Caymmi" Teatro Bradesco (r. da Bahia, 2.244, Lourdes, 3516-1360). Dia 31 (sexta), às 21h. R$ 80 (inteira) e R$ 60 (promocionais, inteira).  

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