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Luiz Melodia lança em BH o CD “Zerima”, seu 1º de inéditas em 13 anos

iG Minas Gerais | Giselle Ferreira |

Diverso: Melodia define disco como “bossa nossa” por múltiplos ritmos e faz releituras de compositores estimados
Divulgação
Diverso: Melodia define disco como “bossa nossa” por múltiplos ritmos e faz releituras de compositores estimados

 

Luiz Melodia, 63, leva a vida com uma cadência própria. Tanto que o Negro Gato não teve pressa para finalizar seu mais recente álbum de inéditas, “Zerima”, que ele lança no dia 1º (sábado), no Sesc Palladium. O CD saiu no primeiro semestre deste ano e encerrou um hiato que já durava 13 anos.   O último disco de novidades de Melodia tinha sido “Retrato do Artista Quando Coisa”, de 2001. Desde então, ele repaginou sucessos e reuniu amigos no “Ao Vivo Convida” (2003) e, depois, mergulhou em sambas antigos no projeto “Estação Melodia”, que rendeu um registro de estúdio (2007) e outro ao vivo (2008).   Por telefone, do Rio, o cantor e compositor disse ao Pampulha que neste intervalo de 13 anos esteve “tranquilo e paciente diante do desafio (de voltar a lançar um álbum de inéditas)”. Contou que “Zerima” foi gravado num estúdio perto de sua casa, no bairro de São Conrado, Zona Sul do Rio, com direito à participação especial de amigos, do filho Mahal Reis e da cantora paulistana Céu. Revelou também que, “na base da conversa e do processo”, quando assustou já estava tudo pronto.    Em “Zerima”, anagrama que homenageia a irmã Marize que faleceu repentinamente há dois anos, Melodia abriu espaço no repertório para gravar alguns de seus ídolos, entre eles Dorival Caymmi e Dona Ivone Lara. “Fiz questão de celebrar o centenário do Dorival, esse grande ícone da nossa música que tive o prazer de conhecer. Eu e Mahal, meu filho, fizemos uma roupagem nova para esse clássico”, conta, sobre a versão de “Maracangalha”, à qual adiciona um suingue funkeado com pitadas de rap.   “Fiquei meio assim em relação a mexer numa música dessas, mas acho que nos saímos bem com esse arranjo”, diz, lembrando que, durante os ensaios, era “Sempre a Cantar” (2004), disco de Dona Ivone que tocava sem parar. Dele, Luiz pinçou “Nova Era”, parceria da sambista com Délcio de Carvalho. “Dona Ivone é uma grande poeta do nosso samba. Cantora de uma elegância musical, de uma melancolia positiva que me atrai muito. No estúdio, a gente estava ouvindo muito. Peguei ‘Nova Era’ e aí o disco fechou, com um resultado bem bacana. Pelo tempo que fiquei sem gravar, estou recebendo críticas muito legais. Isso sempre faz a gente prosseguir”, afirma.   Com Céu ele divide a cena em “Dor de Carnaval”, canção com ares de bossa nova que ele já escreveu pensando na voz da paulistana. Céu havia presenteado Melodia com uma participação em “Vagarosa” (2009), na música que compôs para cantarem juntos, “Vira Lata”. Agora, ele retribuiu com o dueto e com a inédita “Felicidade Agora”, que Céu deve gravar num próximo disco.   Outros nomes que Melodia quis incluir no CD como forma de agradecimento são o cantor e compositor capixaba Sérgio Sampaio (1947-1994) (na regravação de “Leros e Leros e Boleros”, de 1973), a mulher Jane Reis (“Moça Bonita”) e Ricardo Augusto (“Cheia de Graça”).   Veterano   No quesito sonoridade, o carioca nascido no morro do Estácio se mantém fiel aos seus 40 diversos anos de carreira e passeia pelo jazz, soul, balada, rap e samba, reafirmando a multiplicidade como sua melodia. “Chego aos 40 anos de carreira plena, ainda muito vivo. Faço as coisas que gosto, do jeito que quero. Não me prostituí, sempre busquei ser sincero e verdadeiro comigo mesmo. Então não tem mistério. Foram 40 bem vividos anos musicais”, comenta o artista, que classifica este seu mais recente trabalho como “bossa nossa”.    “Desde o meu primeiro disco tenho essa assinatura, essa característica brasileira. Com tantos ritmos diferentes, esse é um disco parecido comigo. O Luiz Melodia é essa base ampla musical. É sempre rico beber de várias fontes”, atesta, tentando explicar em palavras o que a sua música já mostra de “Pérola Negra”, sua estreia em 1973, a “Amusicadonicholas”, inédita faixa instrumental, que encerra “Zerima” feita para seu neto.   Luiz Melodia Lançamento do álbum “Zerima” Sesc Palladium (av. Augusto de Lima, 420, centro, 3270-8100). Sábado (1º), às 21h. R$ 80 (plateia 1, inteira), R$ 70 (plateia 2, inteira) e R$ 60 (plateia 3, inteira).

 

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