Tudo em equilíbrio

Projeto privilegia a verdade estrutural da casa e acompanha suas formas e contornos

iG Minas Gerais | Steven Kurutz |

Fachada. Estrutura da casa foi coberta com madeira, para dar mais aconchego
Trevor Tondro/The New York Times
Fachada. Estrutura da casa foi coberta com madeira, para dar mais aconchego
O visitante que chega a Los Angeles, na Califórnia, certamente vai margear o Pacífico seguindo pela Sunset Boulevard. É um passeio maravilhoso, mundialmente famoso e que revela, em um sinuoso trecho, uma casa cautelosamente equilibrada em vigas maciças de concreto. A residência de dois andares revestida de madeira parece flutuar sobre a estrada.    Segundo o arquiteto Thomas Carson, ela se tornou parte do cenário dessa rota prestigiada. “Todos a conhecem. É uma daquelas casas icônicas”, afirma. A casa realmente possui um ar de mistério. Sua forma dramática e empoleirada é um notável exemplo de brutalismo, mas não é obra de um arquiteto renomado e não aparece na lista das maiores obras-primas modernistas.   Robert Bridges, 60, é um professor universitário, mas, há 30 anos, atuava como construtor e arquiteto, sendo que projetou diversas casas pelo sul da Califórnia – incluindo essa, instalada tão precariamente.   “Eu sou, antes de mais nada, cauteloso”, argumenta Bridges. “Esta casa pode parecer precária, mas não é”. Seu projeto desafiador da gravidade foi uma resposta a limitações tanto financeiras quanto arquitetônicas. Bridges comprou o terreno íngreme, aparentemente impossível de aproveitar, por US$ 40 mil, em 1979.    A construção apresentou uma série de desafios: a inclinação, para começar, mas também o barulho do tráfego. A casa teria de defletir uma interminável sinfonia de motores e escapamentos. E Bridges sabia que qualquer planta que ele desenhasse seria altamente visível. “Eu não podia simplesmente colocar colunas coloniais ou alguma grande projeção das fundações convencionais”, explicou ele.   Durante uma década, ele trabalhou e criou três filhos com sua esposa, Janelle, enquanto economizava dinheiro e ponderava suas opções. Finalmente, depois “de muitas ideias artísticas e de engenharia”, ele chegou a uma solução: concreto reforçado pós-tensão. Conforme explicou Bridges, “é basicamente a mesma tecnologia de uma estrutura de estacionamento”.   Pilares de sustentação fazem contato com o chão em bases de concreto. Sob as bases ficam estacas inseridas profundamente no solo. Em cima de tudo isso, a casa. Para despejar todo esse concreto, foi apenas ele, um guindaste e três outros homens.   “Quando você tem 35 anos, é diferente de outra época de sua vida – tudo é emoção, mas é muito arriscado. Estávamos constantemente pendurados na lateral, fazendo proezas de coragem e estupidez”, ressalta Bridges.   The New York Times

Leia tudo sobre: equilíbriobrutalismo