Ministério desmente repasse zero a CBV e Graça justifica denúncias

Secretário Ricardo Leyser garante que não houve corte e presidente da FIVB tentou se esquivar de acusações na época de seu mandato

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Divulgação/CBV
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Bastou que matérias sobre o corte de recursos repassados do Ministério do Esporte para a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) fossem publicadas para o presidente da Federação Internacional de Vôlei, Ary Graça, aparecer. A falta de repasse teria acontecido em virtude das denúncias de corrupção na época em que Graça era o mandatário da CBV.

Sobre o ocorrido, o Secretário Nacional do Ministério dos Esportes, Ricardo Leyser, desmentiu a informação que circulou em jornais e sites no começo desta semana. Segundo ele, não há corte algum. "Estamos em uma fase onde nenhum convênio foi autorizado ainda. Saberemos até o meio de novembro”, relata. 

A divulgação do possível corte trouxe à tona os episódios envolvendo o desvio de recursos na CBV, na época em que Ary Graça era seu presidente. Graça fez questão de justificar, em nota, todas as acusações.

A primeira delas foi em relação ao aumento de verba que a CBV recebeu do Ministério do Esporte entre 2011 e 2013. Recursos de seis milhões chegaram próximos dos 24 milhões. "A progressão de verba ocorreu porque todos os convênios foram aprovados sem qualquer tipo de restrição. Não houve malversação de verba durante a gestão na CBV, que ao final do período tinha em caixa um saldo positivo de R$ 32 milhões", indica.

Todas as denúncias acusando Graça começaram com o Dossiê Vôlei, da ESPN Brasil. Nele, foram comprovados que empresas de ex-diretores da CBV intermediaram acordos entre a entidade e o Banco do Brasil. A sequência reservou o afastamento dos mesmos, Marcos Pina e Fábio Azevedo.

"Nunca houve intermediação nos contratos da CBV. Uma comissão foi formada e durante dois anos discutiu o contrato com o Banco do Brasil. Trata-se de uma prestação de serviços e não intermediação", esclarece.

Desmentiu o confirmado. Após a denúncia, a CBV fez questão de contratar uma auditoria para apurar os casos e analisar os contratos. Pouco tempo depois, o diretor de marketing da CBV, Renan Dal Zotto, veio a público confirmar que houve irregularidades durante os processos. Mesmo assim, Graça mantém-se firme ne posição de querer justificar o que foi comprovado.

"Com relação às licitações, elas foram feitas por várias comissões diferentes e não foram atestadas irregularidades. As licitações foram feitas por funcionários da CBV e Graça nunca se envolveu diretamente na escolha dessas comissões, formadas por funcionários de nível gerencial e encarregados da área de compras", esquiva-se.

Na nota, Graça faz questão de vangloriar seus feitos à frente da CBV, tentando sobrepor os títulos da seleção brasileira a mancha que a entidade recebeu após os escândalos.

"A administração foi elogiada no Brasil e no exterior e rendeu o prêmio IBEF de Sustentabilidade Empresarial 2011, quando a CBV foi considerada pela FIVB a federação mais bem-sucedida do mundo. Além disso, durante sua atuação à frente da CBV, o vôlei brasileiro conquistou inúmeros  títulos, nas categorias masculina e feminina, tanto em torneios mundiais quantos em Jogos Olímpicos, se tornando um dos esportes mais bem-sucedidos do País de todos os tempos", completa.