Apelo à emoção no último dia

Dilma e Aécio devem deixar ataques de lado no último programa na TV e no rádio

iG Minas Gerais | Larissa Arantes |

Gravação. Ontem Aécio Neves gravou cenas de programa de TV no Rio de Janeiro
Reprodução de vídeo
Gravação. Ontem Aécio Neves gravou cenas de programa de TV no Rio de Janeiro

O último programa eleitoral dos presidenciáveis no rádio e principalmente na televisão será marcado pela convocação da militância e pelo de tom emotivo relembrando os apoios de peso recebidos ao longo da campanha. Depoimentos de artistas e de políticos influentes em suas regiões deverão ser explorados como forma de “fidelizar” o eleitorado da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e do candidato tucano à Presidência, Aécio Neves.  

Nesta quinta, ao chegar a um hotel do Rio de Janeiro para gravar as últimas cenas de sua propaganda, o tucano comentou a estratégia para a inserção final. “Vamos fazer a convocação final da militância, dar uma última palavra para os indecisos. Dei a chance ao Brasil de mudar. O recado foi dado, agora é a convocação para a mobilização final. Vou fazer o papel que fiz até aqui”, afirmou.

Dilma se reuniu com sua equipe também no Rio de Janeiro para discutir a reta final da campanha. O otimismo ficou por conta de um dos coordenadores da campanha, o ministro chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. “Você viu o astral do programa de ontem? Quem você acha que vai ganhar?”, comemorou dizendo ainda que a petista está “animada” e que recuperou a voz, afetada por uma rouquidão nos últimos dias.

Análise. “É agora que o eleitor indeciso vai tentar definir um candidato, e o programa eleitoral tem importância nisso”, analisa o cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Rodrigo Mendes, especialista em marketing. Segundo ele, existem dois “tipos” de indecisos: aqueles que realmente não sabem em quem votar e os que têm um vínculo “frouxo” com determinado candidato – esses deverão ser o alvo dos presidenciáveis.

Estudo da UFMG revelou que cerca de 54% dos eleitores afirmam acompanhar os programas eleitorais. Desse total, 65% dos entrevistados afirmaram assistir à propaganda eleitoral gratuita ao menos uma vez por semana.

“A audiência dos programas varia de região para região. No Sul e no Norte, onde o eleitorado já está mais definido, a audiência tende a ser menor. Já no Sudeste, a situação é oposta”, explica o cientista político Carlos Magno. Além da conquista de indecisos, ele acredita na migração de votos de um candidato para o outro neste segundo turno. “A agressividade de Aécio em um determinado momento da campanha o prejudicou. Já com o PT, a estratégia da desconstrução deu resultados positivos”, resumiu Magno.

Para Mendes, mesmo com os “bons frutos” obtidos pelos petistas com os ataques, na propaganda na TV, o momento agora é de “alegria”. “Amanhã (nesta sexta) é momento de jogar bonito para atrair o eleitor indeciso, pedir votos. O que tinha para atacar, já atacou”, argumentou. 

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