A cultura sertaneja e a resistência

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

O prato Atolado de Bode é um exemplo da cozinha do sertão do chef Rodrigo Oliveira, que conquistou SP
Mocotó / Divulgação
O prato Atolado de Bode é um exemplo da cozinha do sertão do chef Rodrigo Oliveira, que conquistou SP

A comida típica de quem mora no Sertão é rústica como a paisagem do lugar e não deixa de ter seus encantos. Composta de itens pensados para durar por muito tempo, tem predominância de alimentos secos, como farinhas de milho e de mandioca, feijões, favas e rapaduras.

Assim como as carnes de pequenos animais de criação, como cabritos e bodes, também garantem o sustento na época da seca as carnes desidratadas, feitas artesanalmente com ingredientes abundantes por lá: sal e sol. Igualmente artesanais (e salgados) são os queijos de coalho e manteiga de garrafa, produtos típicos mais difundidos pelo restante do país.

Para o chef Rodrigo Oliveira, a relação do sertanejo com a comida é surpreendentemente moderna e exemplar. “O trunfo da comida do Sertão está no valor que cada elemento recebe. Tudo é precioso demais para ser desperdiçado. Sob esse olhar, qualquer porção de comida é iguaria”, diz, citando receitas tradicionais como a buchada de bode e o sarapateu, que levam miúdos dos animais.

Comida de boteco. Na capital mineira, essa vertente da comida nordestina é muito apreciada nos bares – paixão do belo-horizontino. Um dos mais tradicionais é o Temático, do pernambucano Paulo Benevides, o Bené. O hit do lugar é o prato Lampião, Maria-Bonita e os Cangaceiros, com itens variados:carne de sol assada, queijo de coalho, feijão de corda, macaxeira (mandioca), farofa amarela e um segredo: o cominho, muito usado na culinária típica pernambucana. “É o tempero que dá aquele gostinho bom que as pessoas se perguntam o que é que tem de especial, assim que experimentam”.

Quando começou a servir esses ingredientes, há mais de 16 anos, Bené se orgulhava de apresentá-los a quem não conhecia, mas, agora, o público já está escolado nesses sabores. “Hoje, há quem venha tirar satisfação comigo sobre as diferenças dos pratos feitos aqui e lá. O feijão de corda, por exemplo, não pode ser o verde, que por ser muito perecível não chega aqui em condições de consumo. Aí uso o seco, que é gostoso também, mas quando meus clientes viajam para lá, voltam meio bravos comigo”, diz, em tom de brincadeira.

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