O tom africano e a fartura do litoral

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Servido no coco verde, o Camarão Matusalém vem à mesa com sabores de frutas típicas do Nordeste
CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO 5-1-2012
Servido no coco verde, o Camarão Matusalém vem à mesa com sabores de frutas típicas do Nordeste

Fruto do casamento (forçado, diga-se) das culturas portuguesa e africana, a comida baiana, especialmente a de Salvador, é uma das mais reconhecidas Brasil afora. Ícones dessa mesa, acarajés, vatapás, bobós e moquecas são servidos em praticamente todos os lugares e, por onde passam, são facilmente identificados com suas origens.

À frente do baiano Alguidares, a chef Deusa Prado faz questão de seguir à risca as suas tradições, como o acarajé frito no dendê e os tomates verdes que o acompanha. Entre tantos traços típicos, ela destaca uma receita que mostra, ao mesmo tempo, faces da identidade bem-humorada e da cultura baiana, o Doce de Puta, inspirado em Jorge Amado. “É um doce de banana que era servido nos bordéis, porque era prático de ser feito. Em ‘Tieta do Agreste’, Jorge Amado cita esse doce e eu aproveitei para colocar no cardápio”, diz ela.

Gosto de praia. Fora do Recôncavo, a cozinha do litoral traz fartura e diversidade que contrastam com o interior. São camarões, caranguejos, siris moles, mariscos e uma variedade incrível de peixes e moluscos que abastecem parte do país. Como resume Deusa: “no Nordeste, se o bicho nada, com certeza vai parar na panela”, afirma.

Uma provinha desses sabores também está no restaurante Matusalém, que, além do repertório baiano, serve um prato típico de Sergipe – o vermelho na folha de bananeira – e o camarão Matusalém, com frutas nordestinas como seriguela e umbu-cajá. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave