Muitos pais acreditam que crianças obesas estão saudáveis. Será?

Crianças obesas têm maior probabilidade de também serem obesos quando adultos, o que os coloca em risco de doença cardíaca, diabetes e mais problemas de saúde

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

ANDREA FELZENSZTEIN/ STOCKXPERT
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Um em cada 3 pais, cujos filhos foram encaminhados para um ambulatório de obesidade, não percebe o excesso de peso do filho como um problema de saúde, sugere um novo estudo, publicado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics.

Os pesquisadores descobriram que 31% dos pais de crianças obesas ou com excesso de peso consideram a saúde do seu filho excelente ou muito boa, e 28% dos pais não considera o excesso de peso um problema de saúde.

“Pode ser difícil para os pais serem objetivos sobre o peso e a saúde dos filhos, a menos que alguma outra pessoa, como um pediatra ou a enfermeira da escola, aponte que pode haver um problema. Muitos pais pensam que “ser um pouco gordinho é normal”, e que seu filho vai crescer com essa característica”, explica o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349), autor do Blog Mama que te faz bem.

A percepção desses pais pode ter alguma relação com “a normalização da obesidade” nos dias de hoje.  Como as pessoas se deparam mais e mais com pessoas com sobrepeso ao seu redor, talvez elas não reconheçam mais o excesso de peso e não percebam as consequências médicas para uma criança que permanece acima do peso.

Para determinar como os pais estavam motivados a ajudar a fazer mudanças nos hábitos alimentares e nos níveis de atividade física de seus filhos, os pesquisadores entrevistaram 202 pais cujos filhos tinham sido encaminhados por um médico a uma clínica de obesidade infantil. As crianças tinham idades entre 5-20 anos, e 94% delas eram obesas.

Manter as crianças em movimento Embora 94% dos pais entrevistados tenham admitido que o filho fosse obeso ou que estivesse com sobrepeso, eles disseram que encontravam dificuldades para ajudar na mudança de seu comportamento para conseguir controlar o peso.

O estudo revelou que os pais achavam mais fácil ajudar seus filhos a comerem alimentos mais saudáveis ​​do que incentivá-los a fazer mais exercícios todos os dias.

“A pesquisa mostrou que quase 62% dos pais relataram que estavam tomando medidas para melhorar a dieta de seus filhos, aumentando a ingestão de frutas e legumes, e reduzindo o fast food, os doces e os lanches. Mas apenas 41% dos pais disseram estar ajudando a criança a aumentar seu nível de atividade física, como caminhar, dançar ou praticar esportes diariamente”, diz o médico.

A discrepância entre a prontidão dos pais para fazer mudanças nas dietas de seus filhos em comparação com os níveis de atividade física foi surpreendente. Os pesquisadores disseram que não está claro por que os pais sentiam-se menos confortáveis para incentivar um estilo de vida mais ativo em seus filhos com excesso de peso. Eles sugeriram algumas possíveis razões: barreiras financeiras, o próprio sedentarismo dos pais e o receio dos pais sobre a capacidade de seus filhos com excesso de peso de realizarem atividades físicas com segurança.

Os resultados também mostraram que os pais pareciam mais dispostos a fazer mudanças nos níveis de atividade física de seus filhos quando esses eram mais jovens. Já na adolescência, esta tarefa tornou-se cada vez mais difícil.

“Para superar o problema da obesidade infantil, precisamos incentivar bons hábitos alimentares e a prática de atividades físicas nas crianças quando elas são mais novinhas. Nós, pediatras, precisamos fazer um trabalho de convencimento dos pais sobre o ganho de peso na infância e os perigos do sedentarismo”, afirma Moises Chencinski.

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