Belo Horizonte consome 85% da vazão do rio das Velhas

Comitê da Bahia Hidrográfica do Rio Das Velhas vai solicitar que mineradoras liberem água no rio para que ele continue a correr

iG Minas Gerais | Ludmila Pizarro |

A vazão de água do Sistema Rio das Velhas, que alimenta a capital mineira e região, está, atualmente, em torno de 7m³/s. Sozinha, a cidade de Belo Horizonte consome 6m³/s, o equivalente a 85,7% do total. O Sistema Rio das Velhas abastece 40% da região metropolitana e 60% da capital.

“O rio das Velhas é forte e continua abastecendo as cidades e oferecendo essa vazão necessária. Então, faltar água para Belo Horizonte, no curto prazo, não é provável. Porém, não podemos pensar apenas na capital. O rio precisa continuar vivendo, correndo. Estamos sugando praticamente tudo que ele produz de água”, alerta o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Marcus Vinicius Polignano.

Para auxiliar na sequência do rio das Velhas, o comitê vai solicitar ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) que as mineradoras que têm barramento de água liberem suas vazões no rio, para que ele possa seguir. “O rio das Velhas é um dos afluentes do São Francisco. Por isso é importante que ele receba essa ajuda das empresas que fazem o barramento”, explica Polignano.

Na foz, em Várzea da Palma, o rio das Velhas deveria ter uma vazão mínima de 150m³/s e, atualmente, ela não passa 40m³/s.

Outro alerta é que as chuvas, que, segundo o comitê, devem chegar mais fortes na segunda quinzena de novembro, resolverão, apenas, o problema imediato. “A chuva é só um elemento da cadeia da água. Se não tiver vegetação e matas ciliares, a água não é absorvida, os lençol freático não é alimentado e as nascentes secam. Não adianta só chuva”, afirma Polignano.

Ele também lembra que, se a demanda por água continuar crescendo e não tiver produção, os rios não conseguirão abastecer as cidades. “A população deve entender que as concessionárias não produzem água, elas captam e distribuem. Temos que pensar formas de captar água. Nos grandes centros, por exemplo, os grandes empreendimentos impermeabilizam o solo e não captam água da chuva. Isso, na época das grandes chuvas, cria enchentes que também são prejudiciais, e a água não é aproveitada”, avalia.

Para o presidente do comitê, é necessário repensar a gestão da água como um todo. “As cidades precisam começar a cuidar dos mananciais e das áreas verdes em torno das nascentes, ou os rios vão continuar secando. Apenas a chuva não resolve”, concluiu.