Teatros são registrados como patrimônios de Belo Horizonte

Eles foram reconhecidos como bem imaterial da cidade, como já aconteceu com o ofício de fotógrafo lambe-lambe

iG Minas Gerais | Lucas Simões |

Conheça a história de um menino que deseja um mundo melhor para todos
GUTO MUNIZ/DIVULGAÇAO
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Apesar de ter mais de 50 anos de estrada e carregar uma história repleta de prêmios e reconhecimento no país, somente agora a arte cênica mineira terá sua história resgatada e contada em páginas oficiais daqui pra frente. Isso porque a Fundação Municipal de Cultura (FMC) finalmente reconheceu nesta quarta-feira (22) o teatro como bem imaterial da cidade, em reunião extraordinária do Conselho Deliberativo de Patrimônio Cultural.

Na prática, a cerimônia solene realizada no Museu Histórico Abílio Barreto, com a presença do prefeito Marcio Lacerda, garante o resgate da história do teatro mineiro, até então mantido em registros informais e particulares de artistas e companhias teatrais. Questionado sobre a demora para que o teatro ganhasse a atenção para ter sua história documentada pelo município, o prefeito disse que "o reconhecimento sempre existiu e continuará existindo, mas agora temos um registro oficial disso", declarou.

"Isso significa que boa parte da história importante dos primeiros teatros da cidade estão registradas, assim como a história do Grande Teatro Palácio das Artes, que foi revelada e também será registrada daqui pra frente e mostrada ao público", disse o presidente da FMC, Leônidas de Oliveira.

O registro é fruto de uma pesquisa iniciada em 2008 e coordenada pela professora Glória Reis, diretora da Escola de Teatro da PUC Minas. Em um levantamento minucioso de arquivos de fotos, jornais, filmagens e livros, ela conseguiu contar a história dos teatros Marília, Francisco Nunes, Arena Lagoa do Nado, Kléber Junqueira, além do Grande Teatro Palácio das Artes, Teatro da Cidade e Teatro da Associação Mineira de Imprensa (AMI).

Todos esses sete teatros da cidade foram incluídos nesta quarta no Livro de Registros dos Saberes da Prefeitura. "Isso significa que está registrada boa parte da história importante dos primeiros teatros da cidade, assim como a história do Grande Teatro Palácio das Artes, que foi revelada e também será registrada daqui pra frente e mostrada ao público", diz.

Longe de ser um mapeamento cronológico com detalhes "sem falhas", a pesquisadora Glória Reis alerta sobre a "impossibilidade de se escrever uma história completa do teatro em Belo Horizonte, devido à diversidade de manifestações dessa arte e à pluralidade de histórias a serem contadas em diferentes pontos de vista".

Mesmo assim, o trabalho conjunto da pesquisadora com a FMC conseguiu resgatar as primeiras manifestações cênicas dos habitantes do então Arraial do Curral Del Rey, nos últimos anos do século XIX, passando pela inauguração do primeiro espaço dedicado às artes cênicas na cidade, o Teatro Soucasseaux, entre as ruas Goiás, da Bahia e a avenida Afonso Pena, no ano de 1900, até a retomada do movimento teatral pós-ditadura com o Teatro da Cidade e o Teatro da Associação Mineira de Imprensa, ambos inaugurados em 1991.

O título de bem imaterial concedido a manifestações culturais foi criado a partir da lei nº 9.000, promulgada em 29 de dezembro de 2004, e que instituiu o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial. Em Belo Horizonte, o primeiro registro de bem imaterial aconteceu em 2011 com o reconhecimento do ofício de fotógrafo lambe-lambe.

Na última semana, a Cultura Cigana teve aberto o processo de registro imaterial, assim como outras propostas, como os Guardas do Congo e Moçambique de Belo Horizonte, os Quilombos Urbanos e a Pedreira Padro Lopes, que devem ser analisadas futuramente pela Diretoria de Patrimônio Cultural.

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