Ministério do Esporte reduz a zero investimento no vôlei

Denúncias de corrupção envolvendo dirigentes da CBV fez ME decidir não repassar verbas para entidade

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

No encontro, Ary Graça anunciou que seria necessário ter honestidade e
Luiz Pires/Vipcomm
No encontro, Ary Graça anunciou que seria necessário ter honestidade e "transparência"

 

Os episódios de corrupção, licitações indevidas e desvio de verbas envolvendo a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que foram amplamente divulgadas pela mídia nos últimos meses, fez o Ministério do Esporte cortar os recursos que repassava, diariamente, para a entidade.

Neste ano, não houve até aqui nenhum tipo de convênio firmado entre as duas frentes. Situação bem diferente dos últimos anos, quando a CBV recebeu, de forma gradativa, milhões de reais. Depois de destinar ao vôlei brasileiro mais de seis milhões de reais em 2011, os valores aumentaram em 2012 (dez milhões) e 2013 (vinte e três milhões).

Após as denúncias, o presidente licenciado Ary Graça se afastou, definitivamente, da entidade nacional. Hoje, ele ocupa o cargo máximo na Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

o Ministério resolveu não colaborar com uma entidade que viu seu nome manchado por casos de má gestão. Foi exigido que readequações fossem realizadas para que novos acordos voltassem a ser firmados.

"Após as denúncias, ainda que não se referissem a recursos provenientes de parcerias firmadas com o Ministério do Esporte, foram adotadas uma série de medidas junto à CBV, envolvendo solicitação de esclarecimentos e exigências de readequações, além da intensificação das ações de controle e fiscalização já realizadas de forma permanente no acompanhamento dos convênios", cita o comunicado do ME.

Medidas de correção foram exigidas pelo Ministério e a CBV atendeu o pedido. Há poucos meses, a CBV contratou serviços de auditoria para rever contratos. Na oportunidade, foram divulgados por Renan Dal Zotto, gerente de marketing da instituição, que irregularidades realmente aconteceram e que seria feita uma busca pelos culpados. A intenção, inclusive, era "culpar, responsabilizar criminalmente e civilmente todos aqueles que tenham desviado recurso público em nome do esporte brasileiro", como citou o deputado Arnaldo Jordy, que presidiu sessão sobre o assunto na Comissão de Esporte do Congresso Nacional. Renan chegou a afirmar que seria feito  "todo o possível para resolver judicialmente as questões", com intuito ainda de "responsabilizao quem estava à frente e buscar os recursos que foram pagos indevidamente".

O ex-jogador, segundo o blogueiro Bruno Voloch, recebe altos salários no cargo de direção. Seus rendimentos saltaram de R$ 8 mil para R$ 12 mil, antes de irem de R$ 15 mil para R$ 30 mil registrado em carteira. A CBV, segundo o jornalista, paga o aluguel de um apartamento no valor de R$ 5 mil na Barra, zona oeste da cidade. Até pouco tempo, Dal Zotto usava um Nissan oferecido pelo COB ( Comitê Olimpíco Brasileiro ).

Acordo com Banco do Brasil perto do fim

Logo após as primeiras denúncias, a CBV viu sua credibilidade afetada, não só com o grande público, mas também com empresas que a apoiaram durante anos. O Banco do Brasil, parceiro de longa data da Confederação, exigiu apuração dos fatos em reunião realizada em Brasília com dirigentes da entidade. O banco, afirmou em nota, que "apesar de não ter responsabilidade legal ou contratual para fiscalizar a aplicação dos recursos do patrocínio, o Banco do Brasil entende que é necessário a CBV adotar novas práticas de gestão que tragam mais transparência para a aplicação dos recursos e, por exemplo, vedem a contratação de empresas que eventualmente tenham como sócios dirigentes da Confederação".

O banco é o responsável pelo investimento que custeia a realização de etapas do circuito nacional de vôlei de praia. Contratos entre BB e CBV foram intermediados por agências de marketing e eventos de diretores da entidade, ligados á Ary Graça que se beneficiaram com os contratos milionários. Foi comprovado que cada um deles faturou R$ 10 milhões com os acordos. Um deles é Fábio André Dias Azevedo, diretor da S4G Gestão de Negócios, empresa criada apenas três dias antes da assinatura do contrato. Azevedo é, hoje, diretor da FIVB. O outro é  Marcos Pina, ex-diretor da CBV, que comandava a empresa SMP. 

Após as denúncias, Pina se afastou do cargo da CBV, sendo substituído por Neuri Barbieri.

Após todo o escândalo, não será surpresa se a entidade resolver se afastar, de forma definitiva, da CBV, evitando de ter seu nome ligado a desvio de verbas e corrupção.