Mistério ainda cerca assassinato de advogado

Um ano após o crime, delegado aguarda denúncia para seguir com investigação

iG Minas Gerais | jhonny cazetta |

Violência. Criminosos encapuzados esperaram vítima chegar em casa para cometer o assassinato
JOAO GODINHO / O TEMPO
Violência. Criminosos encapuzados esperaram vítima chegar em casa para cometer o assassinato

Há um ano, o advogado criminalista Jayme Eulálio de Oliveira, 37, foi assassinado com cerca de 30 tiros de fuzil e de pistola. A vítima foi surpreendida no momento em que chegava em casa, no bairro Castelo, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Passado esse tempo, o mistério que cerca o crime permanece, sem sequer perspectiva de identificação dos responsáveis pela execução.  

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Bossi, da Delegacia de Homicídios Noroeste, a dificuldade está no fato de nenhuma das linhas de investigação utilizadas até agora terem surtido efeito. “Muitas coisas foram ditas, e poucas foram confirmadas. O inquérito ainda está aberto e estamos atrás de novas denúncias para evoluirmos no caso”, afirmou.

Em janeiro deste ano, a reportagem do O TEMPO acessou com exclusividade as imagens das câmeras de segurança do prédio em que o advogado morava. O material foi analisado pela polícia. A gravação mostrou o exato momento em que os atiradores chegaram, por volta das 19h, em um Palio Weekend. Eles esperam a chegada do advogado, que parou com seu Ford Fusion em frente ao edifício. Encapuzados, os bandidos efetuam vários disparos contra o veículo da vítima. Depois, entraram no carro e fugiram em alta velocidade.

Rotina. Na rua do prédio onde o advogado morava com a família, vizinhos ainda alimentam o medo e o receio de chegar ou sair de casa, principalmente à noite. “Aqui nunca mais voltou a ser a mesma coisa, até porque é difícil esquecer a cena. Essa falta de notícia sobre o que aconteceu e sobre a prisão dos criminosos só nos traz insegurança”, afirmou uma moradora, de 47 anos, que acrescentou que a mulher e o filho de 4 anos da vítima já não moram mais no local.

Poucos amigos e familiares do defensor aceitaram falar com a reportagem sobre o assunto, que ainda atormenta a todos. “A angústia é grande, e muita coisa saiu na imprensa, sem qualquer confirmação. Ainda temos esperança de que os assassinos sejam presos um dia”, disse um amigo da família, que pediu para não ser identificado.

Na noite desta quarta, uma missa em memória do advogado assassinado será realizada na capital.

Algumas especulações que já foram feitas sobre o crime

Vingança.  Uma das hipóteses divulgadas na imprensa para explicar o crime sugeria que o assassinato teria sido motivado por vingança, uma vez que Oliveira teria recebido R$ 4.000 para defender traficantes, e não teria cumprido o combinado.

Ira do PCC. Outra motivação divulgada na imprensa foi o suposto envolvimento no crime de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). O advogado teria sido contratado pela organização criminal paulista, por um alto valor, para libertar um dos integrantes da quadrilha de uma penitenciária mineira. No entanto, o defensor teria conseguido apenas reduzir a pena do traficante, irritando o PCC.

Ligação de policiais . Como o advogado também defendia policiais, foi levantado que algum deles poderia ter tido um atrito com o defensor e se vingado. As especulações não foram confirmadas.

Denúncias

Informações. Qualquer pessoa que tenha mais informações sobre o caso ou pistas que levem à identificação dos suspeitos pode realizar uma denúncia anônima pelo telefone 181.

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