Clima de “já virou” toma conta de ato de Dilma em SP

Petistas e artistas comemoraram números de pesquisa

iG Minas Gerais |

Periferia. 
Ao lado de Lula e de outros petistas, Dilma participou do encontro “Periferia com Dilma”
Ichiro Guerra/ Dilma 13
Periferia. Ao lado de Lula e de outros petistas, Dilma participou do encontro “Periferia com Dilma”

São Paulo. Um clima de “já virou” tomou conta do ato de intelectuais, artistas e juristas pró-Dilma Rousseff na noite dessa segunda, no teatro Tuca, em São Paulo. Ao longo da noite, convidados colaram nos tucanos rótulos como “retrocesso” e “neoliberalismo”, reforçando a mensagem de “nós contra eles”. A confessa polarização foi resumida por Lula, que contrapôs “a estrela do PT” e o “bico tucano deste país”.  

“Dilma apanha mais do que eu”, disse Lula. Candidato contra Collor e Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente criticou o “ódio disseminado” contra o PT, que leva militantes do partido a sofrerem agressões verbais e físicas nas ruas. O “neto do Tancredo Neves” seria um dos propagadores de tanto ódio, segundo ele. “Esse rapaz (Aécio) deve ter um problema. Eu jamais teria a petulância de chamá-la de leviana”, disse o ex-presidente em referência à crítica feita por Aécio Neves contra Dilma no debate do SBT, na semana passada.

Antes do primeiro discurso da noite, a cargo do filósofo Mario Sergio Cortela, o presidente do PT, Rui Falcão, pediu o microfone e anunciou o resultado da pesquisa Datafolha, que trouxe Dilma pela primeira vez numericamente à frente de Aécio no segundo turno (52% contra 48%). Aos gritos de “virou!”, a plateia se levantou e começou a cantar “olê, olê, olá, Dilma, Dilma”.

No palco, além da presidente e do vice, Michel Temer, e de Lula, estavam o prefeito Fernando Haddad, os ministros Marta Suplicy e José Eduardo Cardozo, o senador Eduardo Suplicy, os ex-ministros Alexandre Padilha e Marcio Thomaz Bastos, a deputada Leci Brandão, os escritores Raduan Nassar e Fernando Morais, os atores Celso Frateschi e Sergio Mamberti, o músico Antonio Nóbrega, o diretor José Celso Martinez Correa, Alfredo Bosi, além dos rappers Thaíde e Dexter.

Não petistas. Duas personalidades não petistas foram muito aclamadas: Roberto Amaral, ex-presidente do PSB, e Luiz Carlos Bresser Pereira, um dos fundadores do PSDB. Para Bresser, ex-ministro de FHC, o pleito de domingo confronta pobres e ricos, desenvolvimentistas e neoliberais. “A presidente Dilma está a um passo de ser reeleita. Os pobres sabem o que Dilma defende e por isso votam nela. Os ricos votam no candidato da direita porque, assim, defendem seus interesses”.

Dilma pula. A presidente foi até uma janela do Tuca para acenar para o público, que lotou a porta do teatro. Entre gritos das pessoas de “Quem não pula, é tucano!”, Dilma divertiu a plateia e começou a pular. Foi ovacionada por apoiadores. O vídeo foi postado nesta terça no Facebook oficial da presidente Dilma.

Propaganda com elogios a tucano é suspensa São Paulo. Os ministros Tarcisio Vieira e Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspenderam nesta terça inserções do candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) que veiculavam elogios da presidente Dilma Rousseff ao tucano. Também foi suspensa uma outra propaganda do PSDB que afirmava que “Aécio é o Brasil sem medo do PT”. Para o ministro do TSE Herman Benjamin, a inserção de “tom jocoso, é vazia de conteúdo propositivo”. Já propaganda de Dilma em que são exibidas imagens de Lula atacando o tucano em comício na capital mineira também foi suspensa. O TSE ainda retirou 1 minuto e 50 segundos do horário eleitoral que será exibido nesta quarta. A Corte entendeu que os ataques não contribuem para a campanha.

Ironias O escritor Fernando Morais puxou uma cantoria ironizando Aécio Neves: “Ó Minas Gerais, quem te conhece não vota jamais”. “Essa tucanada não aprende. Quando Aécio anunciou Armínio Fraga, tudo se esclareceu: é voltar ao pior do neoliberalismo, mais um motivo pra votar em Dilma”. Zé Celso Martinez também criticou os tucanos. “O PS de Bosta tem atitude esnobe com o povo”.

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