Socialite e eleição derrubam bolsa

Efeito eleições sobre estatais e um mal explicado empréstimo do BB para Val Marchiori afetam

iG Minas Gerais |

Entre amigos. Val Marchiori teria conseguido um crédito vantajoso por causa de amizade com o presidente do BB, Aldemir Bendine
Valter Campanato/ABr/8.4.2008
Entre amigos. Val Marchiori teria conseguido um crédito vantajoso por causa de amizade com o presidente do BB, Aldemir Bendine

São Paulo. Nem mesmo o forte desempenho das bolsas internacionais foi capaz de aliviar o mau humor na Bovespa nesta terça, após pesquisas eleitorais indicarem vantagem da presidente Dilma Rousseff para o segundo turno das eleições e também por causa das ações do Banco do Brasil, que despencaram 6,77% por causa de uma repercussão ruim sobre um polêmico empréstimo dado pela instituição para a socialite e apresentadora de TV Val Marchiori.  

O Ibovespa fechou em queda pela segunda sessão consecutiva, no menor nível desde o dia 5 de junho, conduzido pelas perdas das ações das empresas estatais e de bancos, principalmente o BB. O Ibovespa recuou 3,44%, aos 52.432,43 pontos. O volume de negócios somou R$ 11,980 bilhões. No ano, a Bovespa acumula alta de 1,80% e, no mês de outubro, queda de 3,11%.

A sondagem Datafolha, divulgada na segunda-feira, mostrou Dilma com 52% dos votos válidos, de 49% no levantamento anterior, enquanto Aécio caiu para 48%, de 51%. Já na Vox Populi, Dilma aparece com 52% dos votos válidos, de 45% anteriormente, e Aécio com 48%, de 44% antes. Os resultados das sondagens pressionaram as ações das empresas estatais e do setor financeiro. Petrobras ON e Petrobras PN recuaram 5,43% e 6,92%, respectivamente. Eletrobras ON (-7,09%) e Eletrobras PNB (-7,88%). Bradesco ON (-5,07%), Banco do Brasil (-6,77%) e Itaú Unibanco (-5,02%) também estiveram entre as principais perdas do dia.

Amizade. O Banco do Brasil, por meio de assessoria, informou nesta terça que a transação com Val Marchiori teve seu enquadramento devidamente aprovado pelo BNDES. O BB acrescentou que não houve excepcionalidade no caso da socialite e que customizações sobre anotações impeditivas simples de sócios são comuns e aplicadas a milhares de operações. O presidente do BB, Aldemir Bendine, teria relação próxima com a Val Marchioni e, segundo insinua a reportagem publicada nesta terça pela “Folha de SP”, e, por isso, teria facilitado o empréstimo. Ele negou participação na concessão de crédito à Torke, empresa de Val que ficou com o crédito.

Em nota, a socialite disse que “seguiu todas as regras e normas exigidas pelos bancos envolvidos, não tendo recebido qualquer favorecimento”.

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