“O pai questionava qual o melhor anestésico para usar na penetração. Eram textos muito pesados”

Carlos Henrique Cotta D’Ângelo Chefe da Polícia Federal Uberlândia

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Como é o caso desse suspeito que planejava abusar da filha que iria nascer?  

Ele tinha 26 anos, era vigilante, e a esposa, que era pedagoga, estava grávida de oito meses. Esse indivíduo foi preso durante as investigações feitas pela unidade da Polícia Federal do Rio Grande do Sul.

Como ele planejava agir?

Ele anunciava que, quando a filha nascesse, ele iria abusar dela, filmar e divulgar para os amigos do grupo de pedofilia na deep web. No texto, ele questionava qual era o melhor anestésico para se usar na penetração. Outra pessoa chegou a orientar o vigilante para que ele se aproveitasse da criança, mas não chegasse até a penetração porque crianças de até 1 ano vão muito ao pediatra. Eram textos muito pesados.

Ele já tinha agido outras vezes?

Essa seria a primeira filha dele. Até suspeitamos que tivesse feito alguma coisa com outras crianças do convívio, mas não conseguimos provar. Ele sempre negou. Procuramos os sobrinhos e fizemos exames de corpo de delito, mas esse é o tipo de coisa que deixa marcas mais psicológicas do que físicas. Ele está preso em Uberlândia.

A internet alimenta a pedofilia?

Muitos acham que a pedofilia na internet não tem contato físico, só que, para ter essas imagens, em algum momento e em algum lugar do mundo uma criança foi violentada. Nos grupos de trocas de imagens, se o indivíduo não tiver nada para ofertar, o grupo vai excluí-lo.  Para evitar isso, ele tem que procurar mais crianças, e isso vira um ciclo que não para nunca. A violência sexual sempre houve na humanidade, mas a internet tem aumentado muito quantidade de indivíduos que se veem obrigados a produzir mais novidades para alimentar a rede. Geralmente, eles acabam fazendo com os parentes porque é mais fácil.

Os criminosos têm algum padrão de comportamento?

São pessoas que sempre vão alegar que foram abusadas na infância, falam em arrependimento, que são vítimas, que não conseguem se controlar. Não são pessoas violentas, até são bastante tranquilas. Vão dizer sempre que são doentes, que não têm culpa do que fazem, que uma voz os obriga a fazer isso. Na “deep web”, acham que ficarão seguros e que não é possível rastrear a ação deles.

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