Lojistas de BH discutem solução para moradores de rua na Savassi

Comerciantes reclamam do medo dos moradores e da necessidade de reduzir a criminalidade que acaba sendo construída em torno dessa realidade

iG Minas Gerais | Aline Diniz |


Moradores de rua da cidade responderão a um questionário da PBH
LEO FONTES / O TEMPO
Moradores de rua da cidade responderão a um questionário da PBH

Representantes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), da Polícia Militar (PM), do Ministério Público (MP), da Guarda Municipal e lojistas se reuniram na noite desta terça-feira (21), na Câmara dos Dirigentes Lojistas, para discutir uma solução acerca da presença dos moradores em situação de rua em Belo Horizonte, especialmente na região da Savassi. A intenção é criar uma força tarefa para ajudar as pessoas que estão nessa situação, além de reduzir a criminalidade que acaba sendo construída em torno dessa realidade.

Lojistas reclamaram durante o encontro ter muito medo dos moradores em situação de rua. O pedido de dinheiro para uma refeição, por exemplo, soa mais como uma coerção, em alguns casos, do que como uma gentileza. Muitos acreditam também que criminosos se aproveitam da presença desses moradores para se infiltrar e aproveitar para cometer delitos, além de vender drogas."Estou estressado com essa situação, pessoas vêm de outros estados para a Savassi. Acontece comercialização de drogas e muitas vezes nem são os moradores de rua. Acho que deveria haver abordagem 24 horas por dia", explanou um comerciante que não teve o nome divulgado.

O tenente-coronel Helbert Figueiró - responsável pelo 1º Batalhão de Polícia Militar - confirmou a existência desse problema. "Pessoas se infiltram.Fazemos prisões diárias. Isso é uma realidade. Acontece em vários pontos da cidade, além da Savassi, como Barro Preto e região hospitalar", relatou.

Segundo o tenente-coronel, a solução para a questão dos moradores de rua não cabe só à Polícia Militar. Ele acredita que se trata de um problema social que gera medo e insegurança. "A atuação da PM com os moradores de rua tem seus limites legais", explica. Figueiró considera que uma maior presença de policiais militares nas ruas traria mais sensação de segurança para a população, entretanto, o número de agentes não permite que isso seja feito. "O esforço que queremos é a convergência de vários órgãos", disse.

Para o presidente da CDL, Bruno Falci, é preciso reunir todos os esforços para que se ache uma solução que contemple todos os envolvidos. "Precisamos encarar o problema de frente, sentar todo mundo junto e encontrar um denominador comum", considera Falci. Ele ressalta que a reunião de ontem não será a última, a ideia é convidar autoridades até que o problema seja resolvido.

Complexo. A coordenadora do Comitê de Acompanhamento da População em Situação de Rua da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Soraya Romina, afirmou que a questão de moradores em situação de rua está presente em todas as grandes metrópoles. Ela explicou que os moradores têm o direito de ir e vir, mas não podem se fixar. Entretanto, ela pondera que é preciso "separar o joio do trigo". Segundo a coordenadora, a questão da criminalidade deve ser tratada pela Polícia Militar. Ela acrescentou também que é necessário desmistificar a ideia de que morador de rua é criminoso. Segundo Soraya a prefeitura está aberta ao debate e também tem interesse em reunir esforços. Ela elogiou a iniciativa da CDL em falar na possibilidade de viabilizar empregos para os moradores interessados. Além disso, ela aprovou a promoção de um evento cultural com os moradores de rua para o fim do ano, uma proposta seria realizar um coral.   

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