Superliga é lançada em festa de luxo em São Paulo

Evento contou com participação de representantes de todos os 25 times

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Os cubanos Leal, Daymi e Dennis vão disputar mais uma temporada da Superliga
Divulgação/ Facebook CBV
Os cubanos Leal, Daymi e Dennis vão disputar mais uma temporada da Superliga

São Paulo (SP) -Somente quando se tem a oportunidade de ver as principais estrelas do vôlei nacional reunidas em um só lugar é que se consegue ter uma noção ainda maior de como a Superliga é recheado de astros de talento internacional. Foi isso que acontece na tarde desta terça-feira, em um hotel de São Paulo, local do lançamento da temporada 2014/2015 da Superliga.

Atletas do presente e do passado estiveram presentes e mostraram que o nível do vôlei brasileiro não só foi mantido como aumentou nos últimos anos.

Marcaram presença jogadores, membros de comissões técnicas, além de outros representantes de todos os 25 times, 12 no formato masculino e 13 no feminino. Para onde quer que se olhava, era fácil identificar referências da modalidade, como Gustavo, Ricardinho, Fofão, Murilo, entre outros, muitos outros.

“São poucas as oportunidades de estarmos reunidos. É sempre bom ver essa união em eventos como este. Uma pena que esta será a última vez que estarei aqui como atleta. Mas espero voltar em uma outra função”, detalha Fofão, que parte para sua última temporada como profissional. São 44 anos de idade e mais da metade deles dedicado ao esporte que lhe deu tudo na vida.

Dentro de quadra, o nível técnico promete ser elevado, não só por 'culpa' dos grandes, mas também de quem chega para incomodar. “Ouvi falar muito bem do time de São José dos Campos. Além disso, conheço o projeto do Voleisul, que é muito sério e organizado, principalmente na parte de logística. É disso que o nosso vôlei precisa, assim atrairemos mais patrocinadores”, mostra Ricardinho, referindo-se aos dois times que subiram da divisão de acesso.

Sobre os favoritos, a novidade será a presença do Taubaté Vôlei-SP, que montou uma verdadeira seleção, com jogadores do time de Bernardinho, como Rapha, Lipe, Dante, Felipe, Sidão e Maurício Souza. “Eles chegam fortes. Terão que tentar desbancar o Sesi-SP e o Sada Cruzeiro, o melhor time do Brasil. Muitos tentar desbancá-los, mas quase ninguém consegue”, aponta o levantador do Ziober-Maringá.

O capitão do time celeste, William, revela o segredo para tanto sucesso do seu time, atual campeão brasileiro. “Temos uma filosofia de manter a base, fazer poucas mudanças. Isso faz a diferença. Esta Superliga será, novamente, complicada, com a presença de grandes equipes. Mas, vamos pra cima”, garante.

Entradas e saídas

As novidades para esta temporada, no masculino, são as presenças do São José dos Campos e Voleisul-Paquetá Esportes-RS, campeão e vice da Superliga B. O Voleisul entrou no torneio de última hora, após desistência do Voltaço Vôlei-RJ. No feminino, a novidade é São José dos Campos, que venceu o torneio de acesso.

Como de praxe acontece, equipes desistiram da competição. Além do já citado Voltaço, o RJ Vôlei, que chegou ao título na temporada 2012/2012, fechou as portas, assim como o Barueri Vôlei, que estreou na última temporada, no formato feminino. Outro time que chegou ao fim foi o Vôlei Amil-SP, uma das candidatas ao título na última edição feminina. A situação ainda incomoda alguns dos grandes nomes do cenário nacional, que esperam a situação mude de vez, para fortalecer, ainda mais um dos campeonatos mais fortes do mundo.

"A Superliga está crescendo muito no cenário do voleibol mundial. Só temos que ficar atentos para que as atletas não comecem a sair novamente do Brasil. Os times de fora mostram um interesse cada vez maior nas jogadoras brasileiras. É importante tomar cuidado para que equipes não acabem e patrocinadores não diminuam seus investimentos. Apesar dessa preocupação, considero a Superliga um dos melhores campeonatos do mundo", mostra a central Adenízia, do Molico-Nestlé-SP, uma das equipes favoritas ao título no feminino.

Além das entradas e saídas, a dependência por patrocinadores faz muitas equipes mudarem de nome de uma temporada para a outra, enfraquecendo a identidade com algum nome. O Banana Boat-Praia Clube, por exemplo, se transformou em Dentil-Praia Clube. O atual campeão brasileiro feminino Unilever-RJ virou Rexona-Ades-RJ.

Começo e fórmula de disputa. O primeiro jogo da Superliga masculina acontece no próximo sábado, entre Minas Tênis Clube e UFJF, na Arena Minas, em Belo Horizonte, às 17h. Já a estreia da feminina está marcada para o dia 7 de novembro, entre Rexona Ades-RJ e Rio do Sul-Equibrasil-SC.

Todos os times se enfrentam em turno e returno e os oito melhores passam para as quartas de final. Quartas e semis acontecem em melhor de três jogos, ao contrário da final, que será em jogo único. O último colocado da cada competição cai para a Superliga B.

"Acho que esse regulamento deveria ser repensado. Com apenas um jogo na final, o time pode estar em um dia não muito bom e a derrota tira a possibilidade de uma segunda oportunidade. Para mim deveria ser uma melhor de três ou de cinco jogos, como era antigamente, para realmente confirmar qual é a melhor equipe da Superliga", opina Adenízia.

Plenária realizada recentemente com a presença de todos os times terminou com votação distinta sobre o assunto. Enquanto no feminino, os times foram a favor de final em jogo único, no masculino a maioria optou por final em três jogos. A decisão foi divulgada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que não considerou a decisão. Negociações com a Rede Globo fizeram a entidade manter o formato em jogo único, temendo por prejuízos comerciais.

Ao contrário do último ano, quando os sets eram de 21 pontos, neste ano a CBV voltou a adotar o regime de 25 pontos, assim como acontece ao redor do mundo. “Reforço a nossa missão de atrair patrocinadores, para diminuirmos os custos para os times, valorizarmos a Superliga B e melhorarmos as regras. Pretendemos conversar com todos os clubes, técnicos e jogadores, para que eles nos assessorem para fazermos um torneio cada vez melhor”, informa Radamés Latari, diretor de competições da CBV.

* o repórter viajou a convite da CBV

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