Incêndios batem recorde deste mês desde 1998

El Niño e déficit hídrico podem explicar aumento das ocorrências, diz especialista

iG Minas Gerais | BERNARDO ALMEIDA |

Região metropolitana. Fogo no bairro Vila da Serra, em Nova Lima, foi contido na noite de anteontem
JOAO GODINHO / O TEMPO
Região metropolitana. Fogo no bairro Vila da Serra, em Nova Lima, foi contido na noite de anteontem

O número de focos de incêndios em Minas Gerais bateu recorde para o mês desde 1998, quando as ocorrências passaram a ser reguladas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Do início do mês até nesta segunda, foram registrados 4.525, superando os 4.424 contabilizados durante todo o mês de outubro de 2003, o recorde anterior. No ano passado, foram 1.221 focos.  

Meteorologista do instituto TempoClima, Heriberto dos Anjos atribui o ano atípico para queimadas a duas causas climáticas. “O aumento do efeito do El Niño, que estava atuando de forma fraca a moderada desde janeiro, é responsável pelas altas temperaturas. Há também um bloqueio atmosférico que se aproximou do continente, o que não é comum, e desde janeiro tem impedido o avanço de frentes frias do Sul do país e que chegavam pelo litoral. Isso permite a atuação de uma massa de ar quente e seco. Assim, o período chuvoso não foi tão chuvoso, e o período seco foi extremamente seco”, explica.

Segundo ele, desde o início do ano, tem chovido menos que a média, exceto em abril, quando choveu mais do que o esperado, mas sem compensar os demais meses. “Tivemos um déficit hídrico”, diz.

Chuvas. No último fim de semana, pancadas de chuva isoladas atingiram a região metropolitana de Belo Horizonte e aliviaram o calor e a formação de queimadas, de acordo com o TempoClima. A previsão para os próximos dias é de instabilidade, com chuvas até quinta-feira e no domingo.

“A tendência, de hoje em diante, é de diminuição nos focos de incêndio no Estado, mas ainda devemos ter alguns novos focos. A previsão é que as precipitações mais consistentes ocorram mesmo a partir da segunda quinzena de novembro”, explica o meteorologista.

Em alguns pontos do entorno da capital atingidos por queimadas, choveu de maneira mais expressiva desde sábado. Os índices pluviométricos nas cidades de Brumadinho e Nova Lima registraram, respectivamente, 10 mm e 47 mm nas últimas 24 horas. As duas cidades estão abrangidas pelo Parque Estadual do Rola-Moça, área de preservação castigada pelos incêndios neste mês.

Em Belo Horizonte, o índice pluviométrico foi de 4,6 mm entre neste domingo e segunda, acabando com um período de estiagem de 46 dias. Antes disso, a última precipitação na capital havia sido em 3 de setembro, com apenas 1,8 mm. “A média de setembro é de 40,6 mm, e a de outubro é de 123 mm. Por enquanto, só choveu 3,9% do esperado pela climatologia”, calcula.

Mesmo pouca, a chuva reduziu em cerca de 5°C a temperatura na capital, que atingiu 36,6°C neste domingo e, segunda, ficou em 31°C.

“Em novembro e dezembro, o volume de chuvas deve atingir a média histórica dos dois meses”, afirmou o especialista.

Ainda segundo Heriberto dos Anjos, somente em novembro deste ano será possível saber como vai ficar o clima em janeiro do próximo ano.

Ituiutaba

Alívio. O efeito da chuva foi maior em Ituiutaba, no Triângulo, que registrou calor recorde para o ano no Estado na última sexta-feira – 40,5°C. Nesta segunda os termômetros da cidade marcavam 31°C.

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