Não eleja o ódio presidente

iG Minas Gerais |

Estas reflexões continuam as da semana passada. As motivações são as mesmas, só que mais graves. Afinal, PT e PSDB insuflam em seus adeptos a animosidade de torcidas organizadas rivais ou se aproveitam dela, que seria um fenômeno espontâneo da sociedade? É possível que a resposta seja tanto uma coisa quanto a outra. No domingo, a briga entre as máfias das arquibancadas fez mais uma vítima fatal em São Paulo. Era um jovem de 21 anos. Será esse o destino brilhante da militância política? Destino que, oxalá não se repita, imitaria o humor da época da ditadura: o debate sobre o melhor projeto para o país constituído pela bala, pelo choque elétrico e pelo pau de arara. A irracionalidade grassa neste segundo turno, que tem servido para isso mesmo desde Collor x Lula em 1989. Foi no segundo turno daquela eleição, a primeira após a redemocratização, que surgiu a história da tal ex-amante do petista e que ocorreu a famigerada edição do debate da Globo. Na última sucessão, de Dilma x Serra, veio à tona a acusação de que a petista era abortista e foi registrada a “agressão” ao tucano por uma bolinha de papel. Agora, as denúncias baseiam-se no irmão dela, na irmã dele, em quem dirigiu bêbado, em quem bateu na namorada, etc. É hipócrita quem repete a frase feita de que segundo turno é uma oportunidade de se apresentarem propostas com mais profundidade e, assim, oferecer ao eleitor mais subsídio para decisão dele. Bobagem. A baixaria é o que reina, sim, infelizmente, mas o instrumento de se construir legitimidade ao vencedor por meio de maioria absoluta dos votos permanece essencial à democracia. Em 1955, JK foi eleito com nem 36% da votação. Teve que apagar dezenas de incêndios, insurgências e insubordinações ao longo do mandato. As posturas das campanhas de Dilma e Aécio e dos dois nos debates de TV são lamentáveis. Para manter a metáfora, agem como o jogador que faz o gol e estimula sua torcida a achincalhar o time adversário com comemorações e gestos provocativos. As brigas entre “amigos” no Facebook já estão transbordando para a vida real. Eleitores são ameaçados ou sofrem assédio moral por declarar voto em ambientes contrários. Além das performances nos debates – mais nonsenses do que Geraldo Viramundo, de Fernando Sabino, num coreto de Barbacena –, a irracionalidade se nutre da batalha de desinformação pela imprensa e de todos os tipos de terrorismo eleitoral que se publicam por aí. Caímos feito patinhos nesse jogo pelo poder, que sequer nos tangencia. Somos meninos pobres que viram soldados de torcida uniformizada e morremos a pauladas na beira da rodovia. Leitor, faça sua escolha usando a cabeça que sustenta sobre o pescoço. Preencha-a com substância sólida e bem cheirosa. Projete o futuro a partir do passado de forma racional e deixe o fígado fora da cabine de votação. Em caso de incerteza, tecle 69 e confirme!

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